Astrônomos descobrem potássio na atmosfera de exoplaneta gigante

Com nova técnica, a silhueta do planeta HD 80606 b, localizado na constelação de Ursa Maior, pode ser vista da Terra.

taniager

31 Agosto 2010 | 15h29

O planeta HD 80606 b (à esquerda) está localizado na constelação de Ursa Maior. Ele dista 190 anos luz da Terra e seu tamanho é comparável ao do planeta Júpiter (à direita). Crédito: Wikimedia Commons.

O planeta HD 80606 b (à esquerda) está localizado na constelação de Ursa Maior. Ele dista 190 anos luz da Terra e seu tamanho é comparável ao do planeta Júpiter (à direita). Crédito: Wikimedia Commons.

Usando uma nova técnica, astrônomos da Universidade da Flórida, EUA, analisaram recentemente a silhueta provocada pela luz que passa através da atmosfera superior do planeta gigante HD 80606 b, localizado a cerca de 190 anos luz da Terra. Eles puderam constatar o elemento potássio na atmosfera do planeta.  A matéria foi publicada hoje pela universidade. 

Coincidentemente, outra equipe liderada por David Sing da Universidade de Exeter, Reino Unido, utilizou a mesma técnica para detectar potássio na atmosfera do XO-2b, outro grande planeta cerca de 490 anos-luz da terra. 

Ambos os planetas, conhecidos como gigantes de gás têm temperaturas extremamente elevadas – HD 80606 b atinge cerca de 1200 graus Celsius e XO-2b é cerca de 900 graus. Isso é quente o suficiente para vaporizar potássio. 

A técnica consiste de observações através da espectrometria de trânsito de banda estreita e pode medir a luz absorvida pelos átomos e moléculas na atmosfera de planetas. 

Esta é uma visão do Gran Telescopio Canarias das ilhas Canárias espanholas. Com seu espelho de 10,4 metros de diâmetro, o telescópio tem mais área de coleta de luz do que qualquer outro. Ele foi usado pelos astrônomos da Universidade da Flórida para analisar a luz que passa através da atmosfera superior do planeta gigante HD 80606 b, cerca de 190 anos de luz da terra e determinar que sua atmosfera contém o elemento de potássio. Crédito: cortesia de Miguel Briganti/SMM/IAC.

Esta é uma visão do Gran Telescopio Canarias das Ilhas Canárias espanholas. Com seu espelho de 10,4 metros de diâmetro, o telescópio tem mais área de coleta de luz do que qualquer outro. Ele foi usado pelos astrônomos da Universidade da Flórida para analisar a luz que passa através da atmosfera superior do planeta gigante HD 80606 b, cerca de 190 anos de luz da terra e determinar que sua atmosfera contém o elemento de potássio. Crédito: cortesia de Miguel Briganti/SMM/IAC.

“Esta nova técnica só funciona para planetas que passam na frente de suas estrelas mães quando vistos da terra. A maioria dos 500 planetas conhecidos não orbitam estrelas brilhantes o suficiente para observações precisas”, disse Eric Ford da Universidade da Flórida. “Outro desafio é que as observações devem ser cuidadosamente cronometradas, para que seja possível ver os planetas em forma de silhueta contra a iluminação de fundo de sua estrela mãe”. 

A espectrometria de trânsito funciona assim: quando o planeta é retro iluminado, astrônomos medem a luz que passou por sua atmosfera. Átomos e moléculas absorvem comprimentos de ondas de luz específicos (cores), fornecendo uma assinatura química que os cientistas podem reconhecer. Ao analisar a quantidade de absorção pela atmosfera do planeta em comprimentos de onda específicos, os astrônomos podem detectar a presença de um determinado átomo ou molécula — neste caso, o potássio.

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