Astrônomos identificam exoplaneta com ponto quente "no lugar errado"

Gigante gasoso intriga cientistas porque possui dois locais quentes que não estão na face voltada para sua estrela.

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20 Outubro 2010 | 12h45

Telescópio Spitzer mostrou que a parte mais quente de um planeta distante, chamado upsilon Andromedae b, não está voltado ao brilho de sua estrela, como seria de esperar. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech.

Telescópio Spitzer mostrou que a parte mais quente de um planeta distante, chamado upsilon Andromedae b, não está voltado ao brilho de sua estrela, como seria de esperar. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech.

Observações do telescópio espacial Spitzer da NASA revelaram um distante planeta com um ponto quente no lugar “errado”. O gigante gasoso, chamado de upsilon Andromedae b, orbita próximo de sua estrela, com uma face permanentemente em ebulição em função do calor que recebe.

Pertencente a uma classe denominada Júpiter quente, o planeta intriga cientistas porque possui pontos quentes que não estão na face voltada ao seu “sol”. Uma das explicações seria a existência de fortes ventos que teriam empurrado o material gasoso quente. Entretanto, um dos pontos mais quentes observados é do lado oposto à face que recebe o calor da estrela.

Concepção artística ilustra um ponto quente inesperado sobre a superfície de um exoplaneta gasoso. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech.

Concepção artística ilustra um ponto quente inesperado sobre a superfície de um exoplaneta gasoso. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech.

“Nós realmente não esperávamos encontrar um ponto quente com um grande deslocamento”, diz Ian Crossfield, autor de um artigo sobre a descoberta que aparecerá no Astrophysical Journal. “É claro que nós entendemos menos sobre a energética da atmosfera de um Júpiter quente do que pensávamos”.

Os resultados fazem parte de um campo crescente da ciência que estuda a atmosfera de exoplanetas (planetas que não fazem parte do Sistema Solar), inciada em 2005 com o telescópio Spitzer. A partir de então, foi possível detectar diretamente os fótons de um exoplaneta. No trabalho em questão, os astrônomos descobriram que o planeta não transita, ou seja, não passa pela frente de sua estrela, como muitos outros planetas da mesma classe fazem.

Os resultados não permitem a visualização do planeta diretamente, mas o sistema permite detectar variações de luz infravermelha que apontam os lados quentes do objeto observado. Assim, seria de se supor que o sistema iria aparecer mais brilhante quando o planeta estivesse exatamente atrás da estrela e mais escuro quando o mesmo se deslocasse. Entretanto, o brilho foi mais intenso quando o planeta ficava ao lado da estrela, com uma face voltada para ela.

Para explicar o fenômeno, os astrônomos já postularam algumas teorias, incluindo ventos supersônicos que provocam ondas de choque capazes de aquecer materiais e tanto o planeta como a estrela por interações magnéticas. Mas, são apenas especulações. “Este é um resultado muito inesperado”, diz Michael Werner, cientista do Projeto Spitzer no Jet Propulsion Laboratory, da NASA, em Pasadena, Califórnia (que não fez parte do estudo). “O Spitzer está nos mostrando que estamos muito longe de compreender esses outros mundos”.