Astrônomos seguem movimento de exoplaneta pela primeira vez

Observatório Espacial Europeu prova que imagem captada em 2003 é de planeta que orbita estrela-anã Beta Pictoris.

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11 Junho 2010 | 16h56

Concepção artística mostra como poderia ser o exoplaneta da estrela Beta Pictoris dentro do disco. Crédito: ESO / L. Calçadaz.

Concepção artística mostra como poderia ser o exoplaneta da estrela Beta Pictoris dentro do disco. Crédito: ESO / L. Calçadaz.

Astrônomos foram capazes pela primeira vez de seguir diretamente o movimento de um exoplaneta que se move de um lado de sua estrela anã para o outro. Ele tem a menor órbita até então observada diretamente, estando localizado tão próximo da estrela-mãe quanto Saturno é do Sol em nosso sistema solar.

De acordo com pesquisadores envolvidos no trabalho, a formação do exoplaneta em questão pode ter ocorrido de forma similar aos planetas do Sistema Solar. Além disso, porque a estrela é nova, a descoberta prova que planetas gasosos gigantes podem ser formados dentro de discos em poucos milhões de anos – um tempo considerado curto em termos cósmicos.  

Com apenas 12 milhões de anos (menos de três milionésimos da idade do Sol) a estrela Beta Pictoris é 75% mais massiva que o Sol, e se encontra a 60 anos-luz na direção da constelação de Pictor. É um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada por um disco de poeira.

Por meio da análise das imagens, os astrônomos chegaram à conclusão de que há presença de planeta maciço. “Como a estrela é tão jovem, nossos resultados mostram que planetas gigantes podem se formar nos discos em tempos tão curtos”, explica Anne-Marie Lagrange, responsável pela equipe. Ou seja: planetas gigantes se formam mais rápido do que especialistas supunham.

A equipe usou o instrumento NAOS-CONICA, montado em um dos 8,2 metros do Very Large Telescope (VLT) do Obsevatório Espacial Europeu (ESO). O trabalho, que capta imagens ao redor da Beta Pictoris desde 2003, já havia sinalizado a presença de um objeto dentro do disco de poeira, mas astrônomos não conseguiram defini-lo, já que havia a possibilidade de ser uma estrela ao fundo. Em 2009, a mancha havia desaparecido. Apenas observações mais recentes revelaram o objeto do outro lado do disco, confirmando que aquilo se tratava de um exoplaneta que estava orbitando a estrela.

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