Nascimento de estrela é observado no "berçário" de Perseus

Objeto está expulsando fluxos de gás em alta velocidade a partir de seu centro, o que sugere ter ultrapassado a fase pré-estelar.

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17 Junho 2010 | 14h42

Astrônomos podem ter vislumbrado o nascimento de uma estrela em um

Astrônomos podem ter vislumbrado o nascimento de uma estrela em um "berçário estelar" similar ao da imagem. Crédito: NASA, ESA.

Astrônomos parecem ter vislumbrado o nascimento de uma estrela no berçário estelar de Perseus, a cerca de 800 anos-luz da Via Láctea. Ainda não totalmente formado em uma “estrela de verdade”, o objeto – L1448-IRS2E – está nos estágios iniciais e começa a sair da poeira e gás ao seu redor. A descoberta foi feita pelo Submillimeter Array, no Havaí, e telescópio espacial Spitzer. 

Estrelas são formadas de nuvens moleculares, regiões muito frias e densas em gás e poeira. De acordo com a equipe, o objeto observado pode estar em uma fase conhecida como pré-estelar, em que uma região particularmente densa de uma nuvem molecular começa a se aglomerar, e na fase proto-estelar, em que a gravidade retirou material suficiente para formar um núcleo denso quente fora do envelope. 

“É muito difícil detectar objetos nesta fase de formação de estrelas, porque eles são breves e emitem pouca luz”, explica Xuepeng Chen, da Yale, principal autor do artigo. 


A maioria das protoestrelas são cerca de uma a dez vezes mais luminosas que o Sol, com grandes envelopes de pó que brilham em comprimentos de onda infravermelhos. Porque o L1448-IRS25 é menos de um décimo tão brilhante como o Sol, os pesquisadores acreditam que o objeto é muito fraco para ser considerado uma protoestrela. 

Contudo, o objeto está expulsando fluxos de gás em alta velocidade a partir de seu centro, o que sugere a presença de algum tipo de massa que se desenvolveu lá dentro, confirmando ter ultrapassado a fase pré-estelar. Estrelas são definidas pela massa, mas os pesquisadores ainda não sabem em que estágio do processo de formação de uma estrela o objeto adquire a maior parte desta massa. 

O time espera encontrar mais objetos deste tipo com o telescópio espacial Herchel, de forma a compreender melhor como as estrelas crescem e evoluem. 

O estudo, com colaboração de pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e Instituto Max Planck, na Alemanha, aparece no Astrophysical Journal.

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