Aquecimento pode impossibilitar vida em algumas regiões da Terra

Pesquisadores calculam a temperatura de bulbo úmido que o planeta pode alcançar nos próximos séculos, prevendo quadro nada bom.

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04 Maio 2010 | 16h46

Mapa mostra as temperaturas máximas de bulbo úmido alcançadas em um modelo climático de emissão elevada de dióxido de carbono com uma temperatura global aumentada para 12 graus Celsius. As áreas em branco correspondem ao limite excedido do bulbo úmido, condição potencialmente letal a homens e mamíferos. Crédito: Purdue University graphic/Matthew Huber.

Mapa mostra as temperaturas máximas de bulbo úmido alcançadas em um modelo climático de emissão elevada de dióxido de carbono com uma temperatura global aumentada para 12 graus Celsius. As áreas em branco correspondem ao limite excedido do bulbo úmido, condição potencialmente letal a homens e mamíferos. Crédito: Purdue University graphic/Matthew Huber.

Não relaxe, não. O aquecimento global realmente pode ter efeitos mais trágicos do que você imagina. Entre eles, níveis tão elevados de temperatura que tornarão o planeta um local impossível de ser habitado. De acordo com cálculos realizados por pesquisadores da Universidade de Purdue, nos EUA, e Universidade de News South Wales, na Austrália, é possível que a Terra exiba o pior quadro nos próximos séculos.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores calcularam a maior temperatura de bulbo úmido tolerável (que avalia a temperatura em relação à umidade do ar), descobrindo que ela pode ultrapassar no futuro os limites humanos caso os gases que provocam o efeito estufa continuem a ser produzidos no mesmo ritmo.

A equipe calculou que os homens e a maioria dos mamíferos, que têm a temperatura interna do corpo perto dos 37ºC, podem experimentar um nível potencialmente fatal de estresse térmico se a temperatura de bulbo úmido acima de 35ºC for mantida por seis horas ou mais.

“Embora certas áreas do mundo apresentem temperaturas acima dos 37ºC, temperaturas de bulbo úmido muito altas são raras”, explica Matthew Huber, professor de ciências atmosféricas e co-autor do trabalho. “Isso porque áreas quentes normalmente tem umidade baixa, como o calor seco do Arizona. Quando está seco, somos capazes de esfriar nosso corpo pela transpiração (…). A temperatura de bulbo úmido mais alta até hoje registrada foi em lugares como Arábia Saudita, perto da costa, onde os ventos trazem ar extremamente úmido do mar, levando a condições insuportavelmente sufocantes, que felizmente hoje ainda são de curta duração”.

Enquanto alguns especialistas prevêem um aquecimento de até 6ºC em 2100, a equipe acredita que um aumento de 25 graus seja também possível. “Descobrimos que um aquecimento de 12ºC poderia ocorrer em algumas regiões do mundo, superando o limite de temperatura de bulbo úmido, colocando metade da população do mundo em um ambiente inabitável”.

Pessoas em descanso geram aproximadamente 100 watts de energia da atividade metabólica. As estimativas de temperatura de bulbo úmido apontam índices maiores do que os possíveis para que as pessoas se refresquem pela transpiração e outras formas de dissipação de calor. Para que isso ocorra, o ar circundante deve ser mais frio do que a pele, que deve ser mais fria do que a temperatura corporal. Se a temperatura do bulbo úmido é mais quente do que a da pele, o calor metabólico não pode ser liberado.

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