Auroras de Saturno pulsam uma vez por dia com emissões de rádio

Como todos os planetas magnetizados, Saturno emite ondas de rádio para o espaço a partir de suas regiões polares.

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04 Agosto 2010 | 12h13

Esta imagem de Saturno tirada pelo Hubble é única desde o início de 2009. Ela oferece uma visão deslumbrante de suas duas auroras. Criadas pela interação do vento solar com o campo magnético do planeta, as auroras de Saturno são análogas à da luz mais familiar do norte e sul da Terra. No momento em que o Hubble bateu esta foto, Saturno se aproximava do seu equinócio. Nela, os raios do Sol iluminam os dois pólos. A aurora oval do norte é um pouco menor e mais intensa que o do sul, o que implica que o campo magnético de Saturno não é igualmente distribuído por todo o planeta. Ele é um pouco desigual e mais forte no norte. (Crédito: NASA, ESA e Jonathan Nichols (University of Leicester))

Esta imagem de Saturno tirada pelo Hubble é única desde o início de 2009. Ela oferece uma visão deslumbrante de suas duas auroras. Criadas pela interação do vento solar com o campo magnético do planeta, as auroras de Saturno são análogas à da luz mais familiar do norte e sul da Terra. No momento em que o Hubble bateu esta foto, Saturno se aproximava do seu equinócio. Nela, os raios do Sol iluminam os dois pólos. A aurora oval do norte é um pouco menor e mais intensa que o do sul, o que implica que o campo magnético de Saturno não é igualmente distribuído por todo o planeta. Ele é um pouco desigual e mais forte no norte. (Crédito: NASA, ESA e Jonathan Nichols (University of Leicester))

Uma equipe internacional liderada pela Universidade de Leicester, no Reino Unido, descobriu que a aurora de Saturno – um brilho ultravioleta etéreo que ilumina a atmosfera superior do planeta perto dos pólos – pulsa uma vez por dia (seguindo, obviamente, o período que Saturno leva para completar uma volta sobre o próprio eixo)

A duração de um dia em Saturno é alvo de muita discussão, correspondendo ao período de rotação do planeta gasoso gigante sem superfície sólida para dar alguma referência. Não há nenhum marca geográfica para facilitar o trabalho, e pesquisadores precisam se basear em cálculos de dados obtidos dos campos magnéticos do planeta.

Como todos os planetas magnetizados, Saturno emite ondas de rádio para o espaço a partir de suas regiões polares. Estas emissões pulsam em um período de aproximadamente 11 horas. Ocorre que ao longo dos anos, este período começou a variar – e provavelmente sem nenhuma relação com a órbita, já que é praticamente impossível que sua trajetória tenha mudado em tão pouco tempo.

Em artigo publicado no Geophysical Research Letters, Jonathan Nichols, de Leicester, usa imagens da NASA e da ESA coletadas pelo telescópio espacial Hubble para mostrar as auroras entre 2005 e 2009, mostrando não somente que há pulsação na emissão de rádio, como as auroras batem no mesmo “ritmo”.

“Esta é uma descoberta importante por duas razões: primeiro, fornece um elo, suspeito até então, que faltava entre emissões de rádio e auroras”, explica Nichols. “Segundo, adiciona uma ferramenta fundamental para diagnosticar a causa da pulsação irregular de Saturno”.

Auroras, mais conhecidas como luzes do norte, ocorrem quando as partículas carregadas no espaço são canalizadas ao longo do campo magnético do planeta para a atmosfera superior perto dos pólos. O impacto destas partículas na atmosfera resulta no brilho observado.

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