Toxina produzida por célula cancerosa é capaz de promover sua destruição

E se a resistente célula cancerosa “lutasse” contra ela mesma? Pesquisadores obtiveram bons resultados partindo desta ideia.

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29 Abril 2010 | 16h59

Células do câncer crescem descontroladamente no organismo, diferente de células saudáveis sujeitas à morte celular programada.

Células do câncer crescem descontroladamente no organismo, diferente de células saudáveis sujeitas à morte celular programada.

E se a resistente célula cancerosa “lutasse” contra ela mesma? Pode parecer estranho, mas pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, tiveram bons resultados partindo desta ideia. Uma toxina produzida em tumores poderia levar ao desenvolvimento futuro de novas terapias contra o câncer.

“Tínhamos descoberto anteriormente que um carboidrato, a xilose, se associado a um naftaleno inibe o crescimento de células tumorais, mas não as células normais”, diz Mani Katrin.

A partir desta informação, pesquisadores quiseram explicar por que a xilose funciona tão bem. Tratamentos com animais mostraram redução de 97% no crescimento do tumor.


Os pesquisadores descobriram que as células, quando cultivadas em conjunto com certos compostos contendo xilose, começam a produzir longas cadeias de carboidratos chamadas de glicosaminoglicanos. Diferentes tipos de células produzem glicosaminoglicanos, que são geralmente transportadas para fora depois.

“Glicosaminoglicanos de células normais são completamente inativas. Entretanto, as do câncer são muito ativas”, explica Katrin. “Elas são rapidamente absorvidas pelas células normais e cancerosas e transportadas para o núcleo, onde afetam a transcrição de genes e induzem o efeito proliferativo, acompanhada de apoptose (morte celular)”. De acordo com a pesquisadora, as cadeias de carboidratos específicas das células tumorais são toxinas.

Como em todo cancro existem muitas células cancerosas, uma elevada concentração de toxina é produzida. Isso significa que o próprio tumor produz algo que o mata. Uma vez morto, nenhuma toxina será mais produzida.

Embora os resultados da pesquisa não impliquem no desenvolvimento imediato de medicamentos anticancerígenos, a pesquisa dá um passo importante em relação a novas terapias para o câncer. “Até agora todos os tipos de tumor testados reagiram da mesma forma, e estamos muito esperançosos em relação aos resultados de pesquisas futuras”, ressalta Ulf Ellervik, também envolvido no trabalho.

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