Equipe afirma ser possível gerar matéria e antimatéria a partir do vácuo

Pesquisadores desenvolveram novas equações que mostram que seria possível criar algo do nada.

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08 Dezembro 2010 | 14h19

Processo descrito por cientistas pode ocorrer na natureza perto de pulsares e estrelas de nêutron.

Processo descrito por cientistas pode ocorrer na natureza perto de pulsares e estrelas de nêutron.

Um novo trabalho da Universidade de Michigan, nos EUA, pode dar nó na cabeça até mesmo de cientistas “malucos”: pesquisadores desenvolveram novas equações que mostram que seria possível criar algo do nada. Sob condições ideais, que implicam um feixe de laser de ultra alta intensidade e um acelerados de partículas de dois quilômetros de extensão, seria possível gerar matéria e antimatéria a partir do vácuo.

A equipe indica que feixes de elétrons de alta energia combinados com um intenso pulso de laser pode “rasgar” um vácuo em sua matéria fundamental e componentes de antimatéria, desencadeando uma cascata de eventos que geraria pares adicionais de partículas e antipartículas.

“Agora, podemos calcular como a partir de um único elétron várias centenas de partículas podem ser produzidas”, diz Igor Sokolov, que conduziu a pesquisa ao lado de John Nees. “Acreditamos que isso ocorre na natureza perto de pulsares e estrelas de nêutrons”.

Isso significaria, em outras palavras, que o vácuo não é exatamente nada. “É melhor dizer, após o físico teórico Paul Dirac, que um vácuo ou nada é a combinação de matéria e antimatéria, partículas e antipartículas”, ressalta Sokolov. “A densidade delas é enorme, mas nós não podemos perceber nada disso porque seus efeitos observáveis cancelam inteiramente um ao outro”.

Matéria e antimatéria se destroem mutuamente quando entram em contato em condições normais. Entretanto, os pesquisadores afirmam que em um forte campo eletromagnético este aniquilamento pode ser a fonte de novas partículas. “No curso da aniquilação, fótons gama aparecem e podem produzir elétrons e pósitrons adicionais”, explica Nees. Um fóton é uma partícula gama de alta energia da luz. Um pósitron é um antielétron, uma partícula com as mesmas propriedades de seu “espelho” elétron, mas positivo.

No fim dos anos 1990, pesquisadores conseguiram gerar matéria a partir de um vácuo de fótons gama. Estas novas equações dão mais um passo adiante como o modelo para promover a criação de partículas a mais do que inicialmente injetado em um experimento por meio de um acelerador de partículas.

“Se o elétron tem uma capacidade de se tornar três partículas dentro de um prazo muito curto, isso significa que não é um elétron a mais”, ressalta Sokolov. “A teoria do elétron é baseada no fato de que ele será um elétron para sempre. Mas, em nossos cálculos, cada uma das partículas carregadas torna-se uma combinação de três partículas e alguma quantidade de fótons”.

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