Aviões “verdes” sobrevoarão o espaço aéreo em 2035

Dois projetos de aviões subsônicos, econômicos e com baixa emissão de poluentes já estão prontos e foram apresentados à NASA.

taniager

18 Maio 2010 | 18h54

O projeto do avião da série D de “bolhas duplas” se baseia em uma estrutura de “cilindros e asas” que tem uma fuselagem larga para fornecer sustentação (lift) extra. Este avião poderá ser usado em voos domésticos com capacidade para transportar 180 passageiros. Crédito: MIT/Aurora Flight Sciences.

O projeto do avião da série D de “bolhas duplas” se baseia em uma estrutura de “cilindros e asas” que tem uma fuselagem larga para fornecer sustentação (lift) extra. Este avião poderá ser usado em voos domésticos com capacidade para transportar 180 passageiros. Crédito: MIT/Aurora Flight Sciences.

Dois projetos de aviões subsônicos, econômicos e com baixa emissão de poluentes já estão prontos e apresentados à NASA. Os projetos foram realizados por uma equipe liderada pelo MIT e incluem membros da Aurora Flight Sciences Corporation e Pratt & Whitney.

Eles foram concebidos conforme proposta da NASA para desenvolver tecnologias dentro de parâmetros que levem em conta conceitos ambientais e de desempenho.  

O MIT projetou um avião verde que poderá economizar 70% cento do combustível utilizado por aviões comerciais hoje, além de 75% de redução dos níveis de ruído e emissão de óxido de nitrogênio (NOx).   O projeto também inclui novas configurações de aerodinâmica e sistema de propulsão entre outras.

Os dois projetos, série D e série H atenderam aos desafios propostos. Na série D está o avião do tipo “bolha dupla” que poderá transportar 180 passageiros e deverá substituir o Boing 737. A série H apresenta o avião de asas e corpo híbridos desenhado para transportar 350 passageiros em voos internacionais e substituirá o Boing 777.   

As novas configurações

Para satisfazer os exigentes critérios da NASA, o projeto elaborado conformou mudanças radicais.  Os engenheiros conceberam a série D, que reconfigurou a estrutura do corpo e das asas como as conhecemos.

No lugar de um único corpo de fuselagem tubular, os engenheiros usaram dois pares de “cilindros” colocados lado a lado para formar o corpo do avião. Assim, eles criaram uma estrutura mais ampla, cuja secção transversal assemelha-se a duas bolhas de sabão coladas. Os motores da série D foram colocados na parte traseira da fuselagem. Desta forma, o avião levanta voo com o fluxo de ar mais lento que passa por toda a sua fuselagem, ao contrário do que acontece nos aviões de transportes atuais – levantam voo no fluxo de ar de alta velocidade.  Conhecida como Ingestão de Camada Limite, BLI (sigla do inglês Boundary Layer Ingestion), esta técnica permite aos motores utilizar menos combustível para a mesma quantidade de impulsão, embora o design tenha vários inconvenientes práticos, tais como a criação de mais estresse do motor. Mas este inconveniente desaparece com a redução em 10% da velocidade que atinge um boing 737.

Na série D, os engenheiros reduziram o arraste e a quantidade de combustível que o avião queima, projetando asas  delgadas e longas, além de uma cauda menor.

Graças ao seu design largo, este avião propicia rapidez de cargar e descarga.  

O MIT desenvolveu duas versões da série D:  uma versão de tecnologia avançada que reduz em 70% o combustível e outra que pode ser contruída com alumínio convencional e com a tecnologia de jatos existente, que queima 50% menos combustível.

A série H – utiliza a mesma tecnologia da série D, incluindo o BLI –  ainda necessita de um design maior para transportar mais passageiros em distâncias mais longas. Nela, o corpo e as asas do avião se mesclam na fuselagem, o que lhe proporciona maior aerodinâmica. O grande corpo central cria uma sustentação (lift) na frente que elimina a necessidade de cauda para equilibrar a aeronave. Os engenheiros do MIT ainda pretendem explorar novas arquiteturas de propulsão para esta série.

A escolha da NASA entre as duas séries está sendo aguardada para daqui a alguns meses, quando então o programa passará para a segunda fase.

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