Bactéria usada como inseticida é eficaz no tratamento de lombrigas

Parasitas infectam cerca de 2 bilhões de pessoas em países tropicais e têm um impacto comparável a malária e tuberculose.

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02 Março 2010 | 21h40

Pesquisadoras Yan Hu (direita) e Sophia Georghiou fizeram a maior parte dos experimentos do estudo. Crédito: UCSD.

Pesquisadoras Yan Hu (direita) e Sophia Georghiou fizeram a maior parte dos experimentos do estudo. Crédito: UCSD.

Biólogos da Universidade de San Diego, EUA, descobriram que a proteína de uma bactéria usada para matar insetos em cultivos orgânicos pode ser usada em um tratamento altamente eficaz contra lombrigas parasitas do intestino humano. Estes parasitas, incluindo ancilostomídeos e tricurioses, infectam cerca de 2 bilhões de pessoas em países tropicais.

Em artigo publicado na PLoS Neglected Tropical Diseases os pesquisadores explicam que uma proteína cristalizada conhecida como Cry5B produzida pela bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) é muito eficaz em dose única na cura de infecções de mamíferos pela lombriga intestinal.

A Bt é uma bactéria famosa pela utilização no controle de insetos em regiões agrícolas, sendo o principal inseticida biológico produzido no mundo. Suas proteínas são usadas há mais de cinco séculos, sendo conhecidas pelas qualidades não-tóxicas em vertebrados.


A descoberta da eficácia da proteína contra parasitas foi feita em um laboratório da UCSD que realizou estudos pioneiros de cristais de proteínas BT como a Cry5B para matar lombrigas, ao invés de insetos.

Lombrigas podem ter um impacto debilitante sobre populações humanas, comparável até a malária e tuberculose. Em crianças, pode causar atrofia de crescimento, afetar o desenvolvimento cognitivo e mental e desnutrição. Apesar do impacto que causa, nenhuma droga conseguiu até hoje efetivamente combater o problema, e maior parte dos remédios é mais direcionado ao tratamento em animais.

O tratamento mais utilizado atualmente é o albendazol. Mas, por ter sido usado repetidamente nas pessoas, o parasita desenvolveu resistência à droga. Embora a tribendimidine esteja sendo desenvolvida para combater o problema, a proteína Cry5B parece ser pelo menos três vezes mais potente.

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