Bactérias intestinais podem influenciar desenvolvimento cerebral

Estudo mostra que o comportamento adulto de mamíferos pode ser determinado pelo ambiente em que animais nascem.

root

01 Fevereiro 2011 | 15h00

Um time internacional de cientistas descobriu que uma bactéria do intestino pode influenciar o desenvolvimento cerebral e o comportamento adulto de mamíferos. O estudo foi publicado no jornal científico PNAS e os resultados foram obtidos pela colaboração entre pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, e o Instituto de Genoma de Singapura.

Os pesquisadores compararam o comportamento e a expressão gênica em dois grupos de ratos – um que vivia em um ambiente normal com microorganismos, e outro em um ambiente livre de germes. Os cientistas observaram que os animais que se desenvolviam em um ambiente ultrahigiênico manifestavam comportamentos diferentes dos animais do outro grupo, sugerindo que uma bactéria de intestino possa ter um efeito significativo sobre o desenvolvimento cerebral de mamíferos.

Ratos adultos “sem germes” eram mais ativos e engajados em comportamentos de risco. Ao serem expostos a microorganismos em uma idade precoce, tornavam-se adultos com comportamento “normal”. Não foi o caso de camundongos que nasceram em condições de higiene extrema e que apenas durante a maturidade foram expostos a microorganismos.

A equipe identificou que genes e vias de sinalização envolvidas na aprendizagem, memória e controle motor foram afetados pela ausência de bactérias no intestino. Isso sugere que ao longo da evolução a colonização do intestino por microorganismos no início da infância está muito associado ao desenvolvimento do cérebro.

“Os dados sugerem que existe um período crítico no início da vida adulta, quando os microorganismos do intestino afetam o cérebro e alteram o comportamento na vida adulta”, explica Rochellys Heijtz Diaz, primeiro autor do estudo. “Não são apenas substâncias sinalizadoras como a serotonina e dopamina que são regulamentadas por bactérias, as funções de sinapse também parecem ser regulamentadas por colônias de bactérias”, diz Sven Pettersson, coordenador do trabalho. “Entretanto, é importante notar que este novo conhecimento pode ser aplicado apenas em ratos, e que ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa sobre o efeito das bactérias intestinais sobre o cérebro humano”.