Bactérias podem indicar presença de câncer no aparelho digestivo

Para o estudo, equipe identificou diferentes grupos de bactérias contidas em biópsias de 45 pacientes submetidos à colonoscopia.

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23 Junho 2010 | 14h31

Bactérias (em vermelho) localizadas na mucosa intestinal. Crédito: UNC School of Medicine.

Bactérias (em vermelho) localizadas na mucosa intestinal. Crédito: UNC School of Medicine.

As bactérias no intestino podem dizer muita coisa sobre uma pessoa: inclusive sobre a presença de câncer de cólon. É o que afirmam pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos EUA. A alteração do equilíbrio entre bactérias “boas” e “ruins” pode ser um prenúncio de algo bem mais grave.

A descoberta pode levar a novas estratégias para diagnóstico em pacientes de alto risco, bem como novos métodos de prevenção. “Acreditamos que algo aconteça para fazer com a balança penda para os micróbios que fazem metabólicos tóxicos e prejudiciais a nossa saúde”, diz Temitope Keku, autor sênior do estudo. “Ao identificar estas bactérias ‘culpadas’, não podemos apenas identificar pessoas com alto risco, mas também sugerir que elas incluam bactérias boas em suas dietas”.

Não é novidade que bactérias tenham um papel importante no nosso organismo, protegendo ou induzindo doenças. Mas, apenas recentemente métodos moleculares evoluíram a tal ponto que pesquisadores conseguem identificar e diferenciar o que é bom do que é ruim. Para o estudo em questão, a equipe identificou diferentes grupos de bactérias contidas em biópsias de 45 pacientes submetidos à colonoscopia.


Os resultados mostram que em pacientes com adenoma – precursores do câncer coloretal – há maior diversidade de bactérias. Um grupo chamado Proteobacteria (onde a E.coli se enquadra) estava presente de forma abundante. Entretanto, não se sabe se é a presença de um adenoma que altera a composição bacteriana ou se são as bactérias que induzem a doença. Para saber isso, os pesquisadores planejam estudos em modelos animais e avaliação maior de amostras.

O objetivo dos pesquisadores é determinar se estas diferenças encontradas na mucosa do colo também existem nas fezes. Se for verdade, isso pode levar a testes menos invasivos e diagnósticos bem mais precoces – quando as taxas de sobrevivência são maiores.

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