Baterias biônicas fabricadas em nanoestruturas imitam a natureza

Alternativa ao petróleo: pesquisadores europeus estão se inspirando em princípios biológicos para desenvolver uma nova bateria biônica.

taniager

16 Junho 2010 | 11h06

Bateria biônica: uma alternativa ao petróleo. Crédito: Universidade Tecnológica de Viena

Bateria biônica: uma alternativa ao petróleo. Crédito: Universidade Tecnológica de Viena

Pesquisadores europeus coordenados pela Universidade Tecnológica de Viena, Áustria, estão se inspirando em princípios biológicos para desenvolver uma nova bateria biônica.

A equipe internacional liderada pelos Dr. Werner Brenner, Dr. Jovan Matovic e Dra. Nadja Adamovic conta com especialistas de várias áreas do conhecimento científico, desde química até nanotecnologia e física do estado sólido.

Brenner explica que as baterias de fabricação humana funcionam da mesma forma que as membranas semipermeáveis das células do nosso corpo.

A membrana celular tem a espessura centenas de vezes mais fina que a de um fio de cabelo, mas sua nanoestrutura e seu funcionamento são extremamente complexos.  Estas nanoestruturas têm centenas de canais muito pequenos, pelos quais passam água, carga elétrica e nutrientes, os responsáveis pelo equilíbrio na célula.

Embora as baterias funcionem da mesma forma que os pequenos canais da membrana, eles são muito mais eficientes.

O gráfico mostra o funcionamento de uma bateria convencional. A membrana semipermeável deixa passar apenas os prótons. Crédito: cortesia de California Fuel Cell Partnership.

O gráfico mostra o funcionamento de uma bateria convencional. A membrana semipermeável deixa passar apenas os prótons. Crédito: cortesia de California Fuel Cell Partnership.

O foco do projeto é desenvolver uma bateria biônica – uma membrana artificial – que permita a transferência de prótons com mais eficiência que as baterias convencionais. “Não é uma tarefa fácil, mas é possível. A natureza tem produzido estas estruturas por bilhões de anos e sua eficiência pode ser vista em cada organismo vivo. Nossa tarefa é a de transferir a estrutura natural destes nanocanais para uma nanomembrana artificial, a qual é por si apenas uma centena de nanômetros mais fina”, diz Matovic.

A equipe acredita que o resultado do projeto trará inúmeros benefícios para a sociedade. Poderá abrir espaço para muitas aplicações na medicina, dessalinização de água, novos tipos de sensores, além de novas fontes eficientes de energia limpa.

Adamovic explica que no projeto, a fronteira entre o “artificial” e o “natural” é imperceptível.

Veja também:

Fenômeno em nanoescala permite criação de dispositivos portáteis
Geradores minúsculos podem se alimentar de vibrações aleatórias
Como bactérias se alimentam de lixo para produzir energia limpa
Método promete biocombustível de celulose sem uso de enzimas
Energia química da fotossíntese é transformada em energia elétrica