Bebês manifestam fortes sentimentos de justiça e altruísmo

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10 Outubro 2011 | 12h44

No primeiro experimento, bebês escolhiam seus brinquedos favoritos. No segundo, tinham que emprestar brinquedos. Crédito: PLoS ONE

No primeiro experimento, bebês escolhiam seus brinquedos favoritos. No segundo, tinham que emprestar brinquedos. Crédito: PLoS ONE

Somos lapidados por experiências ao longo da vida. Contudo, alguns valores são adotados em tenra idade. Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos EUA, mostra que bebês com menos de 15 meses têm um sentido básico de justiça e altruísmo, percebendo as diferenças entre a distribuição igual e desigual de comida, por exemplo. A compreensão de quantidades equivalentes de alimento, por sua vez, estaria relacionada à disposição em dividir um brinquedo.

“Nossas descobertas mostram que essas normas de justiça e altruísmo são mais rapidamente adquiridas do que pensávamos”, diz Jessica Sommerville, professor de psicologia e responsável pelo estudo. “Esses resultados também mostram uma conexão entre justiça e altruísmo em crianças, já que os bebês que eram mais sensíveis à distribuição igual de alimentos também tendiam mais a dividir seus brinquedos favoritos”.

Estudos anteriores revelavam que crianças de dois anos de idade podem ajudar outros – uma prova de altruísmo – e que a partir dos seis ou sete começam a demonstrar noções de justiça. Entretanto, os pesquisadores de Washington suspeitavam que isso poderia ocorrer mais cedo. Para testar a hipótese, a equipe realizou experiências em que um bebê de 15 meses sentava no colo de seus pais para assistir a vídeos de pessoas dividindo comida de forma igualitária ou não. Depois, os pesquisadores avaliaram 47 bebês individualmente para a forma como eles olhavam a distribuição de comida.

“As crianças esperavam uma distribuição equitativa e justa dos alimentos, e ficaram surpresas ao ver determinada pessoa com mais biscoitos ou leite do que outra”, explica Jessica.

Para ver se o sentido de justiça estava associado à própria vontade de partilhar, os pesquisadores realizaram uma segunda tarefa: o bebê poderia escolher entre dois brinquedos – um bloco de Lego simples ou um boneco mais elaborado de Lego. Então os pesquisadores perguntavam se poderiam brincar com seus brinquedos favoritos. Um terço das crianças compartilhou os preferidos, um terço compartilhou os brinquedos menos preferidos e um terço não dividiu nenhum brinquedo.

Ao comparar os resultados de compartilhamento dos brinquedos com os resultados da tarefa de distribuição de alimentos, os pesquisadores descobriram que 92% dos bebês que compartilharam seu objeto preferido passaram mais tempo olhando para a distribuição desigual de comida. Em contraste, 86% dos bebês que partilharam seus brinquedos menos preferidos ficaram mais surpresos quando houve divisão justa de alimento.