Imagem de incrível berçário estelar é captada na nebulosa Rosette

Telescópio Herschel mostra jardim cósmico de brotação estelar, onde cada estrela deverá crescer 10 vezes a massa do nosso sol.

taniager

13 Abril 2010 | 13h24

A imagem mostra uma parte da nebulosa Rosette, um berçário estelar cerca de 5.000 anos-luz da Terra, na Constelação Unicórnio (Monoceros) Unicorn, constelação. Crédito: ESA e consórcios PACS, SPIRE & HSC, F. Motte (AIM Saclay,CEA/IRFU - CNRS/INSU - U.Paris Didedrot)

A imagem mostra uma parte da nebulosa Rosette, um berçário estelar cerca de 5.000 anos-luz da Terra, na Constelação Unicórnio (Monoceros) Unicorn, constelação. Crédito: ESA e consórcios PACS, SPIRE & HSC, F. Motte (AIM Saclay,CEA/IRFU - CNRS/INSU - U.Paris Didedrot)

O Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Europeia (ESA) apresentou, nesta segunda-feira, a última imagem tirada da nebulosa de Rosette. Devido a sua capacidade para ver através de nuvens densas de poeira, ele descobriu um jardim cósmico de brotação estelar, onde cada estrela deverá crescer 10 vezes a massa do nosso sol.

A nebulosa de Rosette está localizada cerca de 5.000 anos-luz da Terra na constelação de Unicórnio (Monoceros). A constelação de Unicórnio é uma constelação do equador celeste e se encontra ladeada entre as constelações de Orion e Cão Menor, acima da constelação de Cão Maior e abaixo da constelação de Gêmeos. Por ser de difícil visibilidade, ela é muitas vezes esquecida.

Na imagem captada pode ser vista uma região que abriga não apenas o berçário estelar, mas também outras estrelas mais velhas e massivas (com grande massa) no centro da nebulosa e as gerações de estrelas mais jovens e menos massivas nas extremidades. Em toda a nebulosa Rosette, há poeira e gás suficientes para fazer cerca de 10.000 sóis.

As grandes estrelas embrionárias descobertas pela Herschel parecem ser de uma geração mais jovem. Elas estão localizadas no interior da ponta dos sustentáculos que parecem ramificar-se do material mais espesso da nuvem. Os sustentáculos foram, de fato, moldados pelo aglomerado de estrelas massivas da nebulosa. Os ventos e a radiação dessas estrelas empurram o material menos denso para fora dos sustentáculos e, provavelmente, provocam o nascimento de grandes estrelas dentro das estruturas em forma de dedos. Na verdade, os sustentáculos apontam para a localização das estrelas massivas da nebulosa.

As regiões mais vermelhas na imagem indicam os embriões estelares de massa intermediária, cada um com duas vezes a massa do Sol. As manchas pequenas, perto do centro da imagem, são de estrelas embrionárias de baixa massa, semelhantes em massa ao Sol.

Como Herschel capta a luz infravermelha

A luz infravermelha é captada da poeira. Ela é a combinação de três comprimentos de ondas infravermelhos que são invisíveis aos nossos olhos. Os códigos de cores da imagem são: a luz com comprimento de onda de 70 microns é azul, com 160 mícrons é a luz verde, e com 250 mícrons é a luz vermelha. As observações foram feitas com câmara e espectrômetro de arranjo fotocondutores da Herschel e instrumentos de recepção de imagem fotométrica e espectral.

Objetivo da missão Herschel

A missão Herschel é a pedra angular para a exploração do Universo e utiliza instrumentos científicos fornecidos por um consórcio de institutos europeus e com importante participação da NASA.

O pesquisador principal é Frédérique Motte do Centro Nacional Francês de Investigação Científica e do Centro Energia Atômica e Alternativa, Paris-Saclay, França. Ele explica que as regiões de formação de estrelas muito massivas são mais raras e mais distantes que as regiões de formação de estrelas com massas menores.

As imagens de telescópios espaciais como o Herschel são fundamentais para o entendimento da formação de estrelas de grandes massas em nossa galáxia, a Via Láctea. Uma vez que elas se alimentam de luz e outras formas de energia da nebulosa mãe, elas podem frequentemente provocar a formação de novas gerações de estrelas. Os astrônomos precisam entender a formação de estrelas muito massivas para que seja possível comparar nossa Galáxia com outras mais distantes.

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