Biomarcadores podem iniciar era de terapias personalizadas

Proteína específica pode ser usada como um marcador que indica se uma determinada classe de medicamentos será bem sucedida contra o câncer.

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23 Março 2010 | 18h07

Células-T normalmente lutam contra tumores e outras ameaças no organismo. Quando uma mutação ocorre, o sistema imunológico é incapaz de responder de forma equilibrada ao crescimento anormal de células do câncer.

Células-T normalmente lutam contra tumores e outras ameaças no organismo. Quando uma mutação ocorre, o sistema imunológico é incapaz de responder de forma equilibrada ao crescimento anormal de células do câncer.

O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de cem doenças causadas pelo crescimento desordenado e incontrolado de células que corrompem células saudáveis e tecidos do corpo. Este distúrbio ocorre pela mutação de um ou mais genes do nosso código genético que não é corrigida pelo sistema de defesa do organismo. Sendo assim, terapias personalizadas contra o problema são há tempos o objetivo de muitas pesquisas relacionadas ao câncer. Agora, cientistas da Universidade de Oxford e do Texas parecem ter dado um passo além neste sonho.

Em estudos realizados com pacientes com um tipo raro de linfoma não-Hodgkin, conhecido como linfoma cutâneo de célula-T (CTCL, da terminologia em inglês), uma proteína específica pode ser usada como um marcador biológico que indica se uma determinada classe de medicamentos será bem sucedida ou não.

“Esse é o primeiro relatório de um biomarcador que prevê como o câncer de um paciente irá responder a um medicamento”, diz Nick La Thangue, professor da Universidade de Oxford, responsável pela pesquisa. “A presença ou ausência do biomarcador pode ser agora usado como um teste de diagnóstico para identificar quais pacientes serão beneficiados com a droga”.

De acordo com os pesquisadores, o novo estudo sugere que uma nova era de tratamento personalizado contra o câncer esteja começando. Além de contribuir para a saúde, evitando a  exposição desnecessária à drogas ineficazes, os biomarcadores podem ajudar a reduzir gastos com a introdução de novos medicamentos pelo sistemas públicos de saúde.

Seja específico contra o câncer

O desenvolvimento de drogas contra o câncer mudou muito a partir de uma compreensão bem mais aprofundada do que ocorre de errado nas células do cancro. Os novos medicamentos têm como alvo vários processos celulares, mas são efetivos apenas em uma parcela dos pacientes – de acordo com o tipo particular de doença.

Por exemplo: o Herceptin é um medicamento eficaz contra o câncer de mama apenas em pacientes com cancros que expressam as proteínas nas quais as drogas atuam. Pacientes sem essa expressão de proteína não podem ser beneficiados.

Um biomarcador é algo que pode servir para prever se um câncer em particular irá responder ao tratamento com um medicamento específico. Testes de diagnóstico com base no nível de biomarcadores presentes podem, então, indicar quais pacientes serão beneficiados.

O estudo, por A + B

No presente trabalho a equipe de pesquisadores deu atenção a uma nova classe de medicamentos chamados inibidores HDAC, que bloqueiam a ação da proteína histona deacetilase. O SAHA (Vorinostat ou Zolinza) foi o primeiro composto dessa classe a obter as aprovações regulatórias, podendo ser usado no tratamento do CTCL.

Os pesquisadores usaram um mapa completo do genoma para identificar os genes ativos nas células de linfoma que ditam se as células de câncer respondem ou não ao SAHA. Para isso, a equipe teve que silenciar genes em turnos, avaliando efeitos da atuação das drogas. Então viram que o HR23B determina a sensibilidade das células cancerosas em relação ao medicamento.

O HR23B funciona, portanto, como um biomarcador em cenários clinicamente relevantes. A sua presença em biópsias de pacientes com o linfoma CTCL previu quem responderia ao tratamento em 71,7% das vezes.

Com esta primeira demonstração de um biomarcador preditivo de um medicamento contra o câncer, a abordagem de usar o mapeamento de genoma pode ser feito para encontrar biomarcadores para diferentes tipos de câncer e diferentes drogas. A esperança é que a identificação desses biomarcadores se torne rotineira.

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