Modelo de biplano supersônico torna sonho de substituto para o Concorde mais próximo da realidade

Modelo de biplano supersônico torna sonho de substituto para o Concorde mais próximo da realidade

Da redação

19 Março 2012 | 21h22


Em tempos de responsabilidade socioambiental, vender uma ideia significa em primeiro lugar atender a certos requisitos como segurança, utilização de tecnologia limpa e compromisso ambiental. Fatores que influenciaram consideravelmente a aposentadoria, em 2003, do legendário Concorde – um dos dois supersônicos que varreram os céus comercialmente (o outro foi o Tupolev Tu-144). Cruzando mares a 18 quilômetros de altitude e com uma velocidade de 2.173 quilômetros por hora, prometeu uma era sem precedentes na aviação. Mas a poluição, o barulho e os altos custos frustraram os planos. Desde então, nenhum outro modelo conseguiu romper a barreira do som para fins comerciais.

Agora, no entanto, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, estão mostrando como a utilização de ‘asas em dobro’ pode ser um caminho viável e adequado aos novos tempos. Uma equipe liderada pelo engenheiro aeroespacial Qiqi Wang mostrou em um modelo de computador que um biplano modificado conseguiria reduzir a menos da metade o barulho que um avião de ‘asas simples’ faria. Um passo adiante, já que muitos países não permitem que naves supersônicas não militares sobrevoem seus territórios em função do barulho. Mais: menos ruído significaria menos atrito e, consequentemente, menos combustível.

Entretanto, o conceito (proposto na década de 1950 pelo aerodinamicista Adolf Busemann) ‘esbarra’ em outro problema: uma asa sobre a outra também aumenta a resistência ao diminuir o vão para a passagem de ar. Para driblar o problema do arrasto, os pesquisadores simularam o desempenho do biplano supersônico em várias velocidades e com 700 configurações diferentes. Chegaram a um modelo (a imagem acima é uma concepção artística de como seria a engenhoca. Crédito: Christine Daniloff/MIT) com asas extremamente lisas na parte interna, sendo que cada uma delas seria vista de lado como um triângulo achatado, unidas apenas nas pontas. As bordas seriam viradas para melhorar ainda mais a aerodinâmica.

Aprimorando tendências – “Sabemos que esse tipo de conceito, de bordas por exemplo, melhora o choque. Pontas, bordas de ataque, redução de grandes ondas de choque em ondas menores, tudo isso é conhecido – não é nada ‘fora da caixa’”, diz James Rojas Waterhouse, professor de aeronáutica da Universidade de São Paulo em São Carlos. A grande questão, segundo ele, é conseguir construir um avião que funcione bem em velocidades muito altas e muito baixas. Afinal de contas, mesmo um biplano supersônico precisa decolar. “Então você deve fazer dois aviões em um só”. Na teoria, a nave do MIT poderia funcionar em ambos os casos, embora os pesquisadores estejam planejando a construção de um modelo 3D para avaliar outros fatores que influenciam no voo.

De acordo com Waterhouse, há hoje várias abordagens para tentar solucionar o problema, mas nenhuma até agora se mostrou realmente efetiva. Mesmo que a redução de barulho seja considerável, a de combustível não deve ser tão expressiva, avalia, tornando o uso para o dia a dia ainda muito limitado. “Este avião conceitual é uma rota que diminui, ameniza um pouco os problemas. Mas engenharia não é milagre, é um compromisso: uma tecnologia que está quase viável se torna viável, porque o apelo se torna mais real para investidores, por exemplo”. Por essa razão, admite ele, o biplano conceitual de Wang poderia levar a uma melhoria dramática da engenharia de aviação nos próximos anos, embora esteja longe de ser a resposta final.

Abaixo, um vídeo mostrando a decolagem do insuperável Concorde:

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