O que ativa rato pelo bigode pode ativar sua mente pelos dedos

Cérebro percebe melhor vibrações irregulares, mesmo que elas sejam praticamente imperceptíveis, do que vibrações regulares invariáveis.

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16 Abril 2010 | 12h03

Ratos usam bigode para localizar objetos e julgar o seu tamanho, forma e rugosidade. Crédito: UNSW.

Ratos usam bigode para localizar objetos e julgar o seu tamanho, forma e rugosidade. Crédito: UNSW.

Um estudo realizado pela Universidade New South Wales, na Austrália, mostra que o bigode dos ratos tem a mesma função que os seus dedos: sentir objetos e perceber tudo ao redor. O mais interessante, entretanto, é que os pesquisadores descobriram que a região do cérebro ativada por essa capacidade é similar a de seres humanos.

“Como os animais noturnos, os ratos usam seus bigodes para navegar seu entorno, localizar objetos e julgar o seu tamanho, forma e rugosidade”, diz Arabzadeh Ehsan, um dos autores do estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Ao encontrar uma presa ou um objeto, o movimento de seu bigode aciona nervos do folículo piloso para enviar sinais ao cérebro, que registra as sensações de toque: o córtex somatosensorial. Uma região inteira formada por essa estrutura, chamada de córtex barril, trabalha as informações, gerando uma representação do objeto.

A pesquisa testou as respostas dos neurônios no córtex barril de ratos em relação a pequenos pulsos de vibração nos bigodes, primeiro usando uma série de pulsos regulares de mesma intensidade e depois por vibrações irregulares de diferentes intensidades. Em ambos os casos, contudo, o número de pulsos e o grau de estímulos foi igual.

As vibrações irregulares acionaram os neurônios mais do que as regulares, sugerindo que sinais mais barulhentos podem ser interpretados como de maior intensidade. Os pesquisadores acreditaram, então, que o cérebro humano poderia responder de forma similar.

Ao analisar voluntários que se submeteram a condições parecidas, tocando com um dedo indicador uma haste de aço fino cuja vibração era suave, os pesquisadores perceberam que o ser humano pode reagir da mesma maneira: o cérebro percebe melhor vibrações irregulares, mesmo que elas sejam praticamente imperceptíveis, do que vibrações regulares invariáveis.

“Para os ratos, o tratamento de toque pelo bigode é um sistema muito eficiente e os bigodes são extremamente sensíveis, como isso foi demonstrado por outros pesquisadores”, explica Arabzadeh. “Eles podem ser treinados para detectar colisões incrivelmente minúsculas (…) com resoluções que são comparáveis ao que podemos obter com a sensibilidade dos nossos dedos”.

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