Brutos também amam: pesquisadores investigam nascimento da compaixão

Evidências arqueológicas mostram que as emoções começaram a se manifestar em nossos mais distantes ancestrais.

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05 Outubro 2010 | 11h34

Representação de uma família de neandertais. Crédito: Randii Oliver - Wikipedia.

Representação de uma família de neandertais. Crédito: Randii Oliver - Wikipedia.

Afinal, pode parecer piegas dizer que brutos também amam. Mas, uma pesquisa realizada por arqueólogos da Universidade de York sugere que os neandertais – espécie extinta que coexistiu com os homens modernos – não eram assim tão grosseirões: tinham um sentido profundamente arraigado de compaixão.

Para fazer justiça e desmentir a reputação primitiva dos neandertais, a equipe examinou evidências arqueológicas para avaliar como as emoções começaram a se manifestar nos nossos mais distantes ancestrais. Para tanto, propuseram um modelo de quatro estágios para a evolução da compaixão.

De acordo com os pesquisadores, o sentimento passou a se tornar mais popular há 6 milhões de anos, quando o ancestral comum de humanos e chipanzés experimentou o primeiro despertar de uma empatia com os demais. Isso o motivou a ajudá-los. Talvez um gesto de conforto, talvez dando a passagem movendo um ramo de árvore para o lado.

A segunda etapa, 1,8 milhão de anos atrás, envolveu a compaixão do Homo erectus. A emoção se integrou ao pensamento racional. O cuidado de indivíduos doentes representou um grande salto na racionalização das emoções, ao passo que o surgimento de um tratamento especial aos mortos (o que hoje chamamos de luto) representou o desejo de aliviar a dor de quem perdia um ente querido.

Entre 500 e 40 mil anos atrás, os primeiros seres humanos como o Homo heidelbergensis e neandertais desenvolveram compromissos profundos com o bem estar dos outros, ilustrados por uma longa adolescência e a dependência de união para a caça. Há também evidências arqueológicas de atendimento de rotina para doentes e feridos, incluindo restos de uma criança com anormalidades cerebrais congênitas que não foi abandonada, mas viveu até os cinco ou seis anos de idade. Além disso, os pesquisadores citam um neandertal com o braço atrofiado, pés deformados e cegueira em um olho, que pode ter sido cuidada por cerca de duas décadas.

Os seres humanos modernos expandiram a compaixão há cerca de 120 mil anos. Não era mais a manifestação de um sentimento despertado por entes queridos apenas. A ajuda era oferecida a estranhos, animais. As emoções ganhavam, assim, representações abstratas.

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