Buracos negros retrógrados podem formar jatos violentos de gás

Para nadar contra a correnteza, é preciso redobrar as forças. Buracos negros retrógrados podem estar fazendo isso, de acordo com nova teoria.

taniager

02 Junho 2010 | 04h29

A figura é uma versão artística de uma galáxia com um buraco negro supermassivo em seu núcleo. O buraco negro está ejetando jatos de ondas de rádio. Crédito: cortesia de NASA/JPL-Caltech.

A figura é uma versão artística de uma galáxia com um buraco negro supermassivo em seu núcleo. O buraco negro está ejetando jatos de ondas de rádio. Crédito: cortesia de NASA/JPL-Caltech.

Para nadar contra a correnteza é preciso redobrar as forças. Buracos negros retrógrados poderiam estar fazendo isto, segundo a nova teoria proposta por astrônomos da NASA e do MIT, EUA. A abordagem promete acrescentar conhecimento sobre a mudança das galáxias ao longo do tempo.

Em matéria publicada no último dia 1º, o astrofísico teórico David Garofalo do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA e seus colegas Daniel A. Evans do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e Rita M. Sambruna do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, sugerem que buracos negros supermassivos que giram em sentido contrário aos seus discos de poeira poderiam produzir jatos mais violentos de gás.

Buracos negros são enormes distorções de espaço e tempo com gravidade tão grande, que nem a própria luz pode escapar. Todas as galáxias, inclusive a nossa Via Láctea, estão ancoradas em imensos buracos negros supermassivos, equivalentes em massa a bilhões de sóis. Eles são rodeados e alimentados por discos de poeira e gás, chamados de discos de acreção. Poderosos jatos são expelidos debaixo e de cima dos discos.  


Os buracos negros podem girar no mesmo sentido de seus discos – progressivos – ou em sentido oposto – retrógrados. A velocidade de seu giro foi motivo de especulação entre astrônomos durante décadas. Eles acreditavam que quanto maior a velocidade, mais forte era seu jato. Conhecida como “paradigma do spin”, esta teoria apresentava lacunas. Como explicar alguns buracos negros progressivos que não tinham jatos?

Garolfalo e seus colegas giraram as ideias em suas cabeças até chegarem a uma nova teoria: buracos negros retrógrados expeliam jatos violentos, enquanto os progressivos, jatos fracos, ou nem sequer os tinham.

Associando teoria com novas observações de diferentes galáxias – que emitiam ou não ruídos em rádio – durante certo tempo, ou às diferenças de distância da Terra, estes cientistas notaram que as galáxias “silenciosas” estavam mais próximas de nós que as galáxias “ruidosas”. Mas não somente isso.

O resultado do estudo revelou que as galáxias “ruidosas” distantes eram “ruidosas” porque seus buracos negros ejetavam fortes jatos de feixes de luz sob a forma de ondas de rádio, ou seja, possuíam buracos negros retrógrados. Por sua vez as galáxias “silenciosas” próximas teriam buracos negros progressivos.

De acordo com os astrônomos, buracos negros supermassivos evoluem ao longo do tempo de um estado retrógrado para um progressivo.

A equipe explica também que buracos negros retrógrados ejetam jatos mais fortes porque existe mais espaço entre eles e a borda de seus discos. Como  conseqüência, a lacuna acumula campos magnéticos que alimentam os jatos, uma ideia conhecida por “conjectura de Reynold”.

“Se você se imaginar tentando se aproximar de um ventilador, perceberá que é mais fácil chegar até ele se caminhar mo mesmo sentido de sua rotação”, diz Garofalo. O mesmo princípio aplica-se a estes buracos negros. O material orbitando em torno deles em um disco irá aproximar aqueles que estão girando no mesmo sentido e distanciar aqueles em sentido oposto.”

Os jatos e ventos têm papel importante na modelagem do destino das galáxias. Eles podem retardar ou até mesmo impedir a formação de estrelas não apenas em suas galáxias, mas também em outras galáxias vizinhas.

A astrônoma Ambruma acrescenta que “os jatos transportam enormes quantidades de energia para a periferia da galáxia, transferem grandes volumes de gás intergalático e atuam como agentes de retorno entre o centro da galáxia e o ambiente de grande escala. Noções básicas sobre a sua origem é de interesse primordial para a Astrofísica moderna.”

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