Cadeia alimentar de peixes está se tornando mais simplificada

Seres humanos e a natureza estão conspirando pra encurtar as cadeias alimentares, particularmente pela eliminação de peixes grandes.

taniager

15 Outubro 2010 | 16h10

O delta do Rio Colorado, agora seco, com suas ramificações no deserto de Baja/Sonoran à apenas cinco quilômetros ao norte do mar de Cortez, México. Crédito: Peter McBride.

O delta do Rio Colorado, agora seco, com suas ramificações no deserto de Baja/Sonoran à apenas cinco quilômetros ao norte do mar de Cortez, México. Crédito: Peter McBride.

Em estudo publicado recentemente na revista Science, pesquisadores demonstram o impacto causado pelas atividades humanas e as mudanças climáticas na cadeia alimentar de peixes na rede hídrica global. Alguns rios estão secando ao mesmo tempo em que outros sofrem variações de seus fluxos de água devido a inundações pelas tempestades. O resultado final mostra que os seres humanos e a natureza estão conspirando pra encurtar as cadeias alimentares, particularmente pela eliminação de predadores do topo como muitos peixes grandes.

A equipe de cientistas, de várias instituições norte-americanas liderada pelo professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Arizona John Sabo, sugere que os peixes grandes são os mais afetados pelo uso da água, especialmente pelo aumento da população humana e mudanças climáticas que afetam a disponibilidade do líquido precioso para a vida.

Os pesquisadores estudaram a rede alimentar das vidas que dependem dos rios para as suas sobrevivências. A pesquisa focou 36 rios e córregos dos EUA, que variam em tamanho, desde os rios Colorado e Mississipi até seus pequenos afluentes. Os dois rios fornecem água a grandes cidades como Nova York, Minneapolis, Phoenix, Las Vegas e Los Angeles.

O estudo utilizou isótopos de nitrogênio em estado natural (azoto) para medir o quão alto os predadores do topo estavam na cadeia alimentar. O azoto fornece um indicador para isto, uma vez que ele é um acumulador biológico, aumentando em 3,4 partes por milhão em cada elo da cadeia.

Segundo Sabo, “as inundações simplificam a rede de alimentos, ao eliminar algumas espécies intermediárias, como o homem, para que o peixe grande, predador do topo, possa comer alimentos que estão mais abaixo na cadeia”. “Com as secas, é completamente diferente, elas simplesmente eliminam completamente o predador do topo porque muitos peixes não podem tolerar o nível baixo de oxigênio e as altas temperaturas que resultam de um fluxo reduzido”.

A conclusão do estudo aponta que o resultado final em ambos os casos é uma rede alimentar mais simples, mas os efeitos causados pela redução dos fluxos são mais catastróficos para os peixes e de longa duração.

Sabo acrescenta que as mudanças climáticas desempenharão um grande papel nos próximos anos. Haverá seca em algumas regiões, particularmente ao longo do equador, e aumento do fluxo hídrico em alguns rios nas latitudes mais altas. Teremos mais variações, porque haverá mudanças na sazonalidade das tempestades. As correntes oceânicas estão mudando e a forma como os oceanos sopram as tempestades para nós, elas estão se tornando diferentes.