Casos de malária podem ser reduzidos mesmo com aquecimento global

Pesquisadores afirma que o aquecimento não é o único fator que afeta a malária e medidas de controle do mosquito parecem promissoras.

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19 Maio 2010 | 16h48

Fêmea do mosquito Anopheles gambiae alimentando-se do sangue humano. Crédito: Wikipedia.

Fêmea do mosquito Anopheles gambiae alimentando-se do sangue humano. Crédito: Wikipedia.

Um mundo mais quente seria um ambiente propício para o mosquito da malária, certo? Muitos especialistas defendem a ideia, acreditando que o aquecimento global pode oferecer tudo o que o mosquito transmissor da doença, o Anopheles, sempre quis: mais e mais regiões do planeta que tenham temperaturas elevadas, como nas regiões tropicais e subtropicais. Entretanto, uma equipe de cientistas defende que uma epidemia global seja bastante improvável.

Em artigo que será publicado pela Nature, os pesquisadores demonstram que houve uma redução na área de distribuição geográfica da malária no último século, e que os cenários para o futuro devam ser os mesmos.

“Se continuarmos a financiar o controle da malária, com certeza podemos estar preparados para neutralizar o risco de que o aquecimento poderia expandir a distribuição global da malária”, afirma David Smith, um dos pesquisadores da Universidade da Flórida, EUA, envolvidos no trabalho.

Mesmo que a temperatura global tenha aumentado cerca de um grau Celsius no último século, a malária foi confinada à África Subsariana, Sudoeste Asiático e América do Sul, com a maior concentração na região africana. De acordo com os pesquisadores, o aquecimento não é o único fator que afeta a malária e medidas de controle do mosquito parecem ter sido os esforços mais bem-sucedidos até agora, acompanhados do processo de urbanização dos países. Apesar de tudo, nem isso é capaz de explicar totalmente a redução da malária em países norte-americanos, por exemplo.

“Não há um fator que pareça determinar a história mundial”, diz Andy Tatem, que também participou do trabalho. “Se tivéssemos que escolher uma coisa, podemos supor que foi o desenvolvimento econômico”, explica ele, mostrando que os mecanismos específicos ainda continuam incompreendidos.

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