Célula cancerosa atua em microRNA tornando-se resistente à quimio

Mecanismo para regular genes é alterado para que danos no DNA não sejam identificados. Desta maneira, cancro se torna resistente à quimioterapia.

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09 Março 2010 | 01h43

Células características do linfoma de Burkitt, cancro relacionado a superexpressão do gene Myc. Crédito: Wikipedia/Ed Uthman.

Células características do linfoma de Burkitt, cancro relacionado a superexpressão do gene Myc. Crédito: Wikipedia/Ed Uthman.

Cientistas da Universidade de Nottingham, Inglaterra, identificaram um dos mecanismos pelo qual células do câncer sobrevivem à quimioterapia: um microRNA (um dos mecanismos que o corpo utiliza para regular os genes) é utilizado por células cancerosas para suprimir a função de controle sobre o Myc, um dos mais comuns genes do câncer.  

Todas as pessoas estão expostas diariamente a interferências que danificam o DNA, seja pelo estilo de vida ou exposição a substâncias tóxicas no ambiente. O corpo então usa uma quantidade de “pontos de verificação” para detectar danos e permitir que eles sejam consertados. Mutações que impedem este sistema de alerta podem levar ao câncer.

Os pesquisadores descobriram que o mau funcionamento do sistema de regulamentação, pela atuação das células do câncer no miR-34c, impede o controle normal do Myc, permitindo que o cancro sobreviva e continue a se espalhar no organismo.

O estudo consegue revelar um dos pontos restantes de controle nas células cancerosas, dando uma visão molecular profunda de como estas células respondem à quimioterapia. “Os cientistas estão agora tentando encontrar maneiras de interferir nos genes relacionados ao câncer, sem afetas as funções biológicas normais em outras partes do corpo”, explica Martin Burshel, responsável pela pesquisa. “O gene Myc é um regulador extremamente influente do crescimento celular. A sutil transformação feita pelo miR-34c tem potencial para ser explorada terapeuticamente no futuro”.

A pesquisa, publicada hoje na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, é mais um passo na busca de tratamentos de quimioterapia mais eficazes.

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