Luz infravermelha contrai células e faz com que enviem sinais ao cérebro

A descoberta poderá melhorar os procedimentos de implantes para surdez e também levar a novos dispositivos para restaurar a visão.

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28 Março 2011 | 09h21

Pesquisa foi liderada por Richard Rabbitt. Crédito: Courtesy of Lee Siegel.

Pesquisa foi liderada por Richard Rabbitt. Crédito: Courtesy of Lee Siegel.

Cientistas da Universidade de Utah, nos EUA, usaram luz infravermelha invisível para contrair células cardíacas de ratos e fazer com que células do ouvido interno enviassem sinais ao cérebro. A descoberta poderá um dia melhorar os procedimentos de implantes para surdez e também levar a novos dispositivos para restaurar a visão, manter o equilíbrio e tratar perturbações de movimentos, como no mal de Parkinson.

“Nós vamos nos comunicar com o cérebro por meio de impulsos ópticos infravermelhos, em vez de pulsos elétricos”, diz Richard Rabbit, professor de bioengenharia e autor sênior do estudo. O trabalho também levanta a possibilidade de se desenvolver marcapassos cardíacos que utilizam sinais ópticos em vez de sinais elétricos para estimular as células do coração.

Além disso, a pesquisa mostrou que o infravermelho ativa as células do coração, conhecidas como cardiomiócitos, provocando o movimento de íons de cálcio dentro e fora das mitocôndrias – as organelas, ou componentes, dentro das células que transformam o açúcar em energia utilizável. O mesmo processo pode ocorrer quando a luz infravermelha estimula as células do ouvido interno.

Embora a luz infravermelha possa ativar células por conta do calor, a equipe demonstrou que as mesmas foram ativadas pela radiação infravermelha, que afetaria o fluxo de íons de cálcio dentro e fora das mitocôndrias. Isso é significativo porque em nervos “excitáveis” e células musculares o cálcio é o gatilho para fazer com que as células liberem neurotransmissores.

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