Células não-cancerosas podem ajudar células cancerosas no processo de metástase

Células estromais não-cancerosas auxiliam o crescimento inicial de sementes do tumor em um local estranho.

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01 Dezembro 2010 | 22h52

Células cancerosas de pulmão entre células epiteliais saudáveis. Crédito: Universidade de Tel Aviv.

Células cancerosas de pulmão entre células epiteliais saudáveis. Crédito: Universidade de Tel Aviv.

Durante o processo de metástase, as células cancerosas partem de um tumor primário para encontrar um ambiente propício para o estabelecimento de desenvolvimento de um novo tumor. De acordo com um estudo realizado pelo Massachusetts General Hospital (MGH), é possível que células tumorais circulantes contem com células não-cancerosa do local de origem para a tarefa.

Já se sabia que células estromais não-cancerosas ajudam a formar a estrutura de suporte para tecidos e órgãos e contribuir no crescimento de tumores primários ao fornecer o “solo” que um cancro irá se desenvolver. O estudo em questão mostra que estes solo também auxilia o crescimento inicial de sementes do tumor em um local estranho. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas metas para tratar ou prevenir a metástase.

 

Vários estudos anteriores identificaram aglomerados contendo tanto células tumorais quanto células do estroma em vasos sanguíneos e linfáticos de pacientes com câncer. Os pesquisadores já também demonstraram que estes “passageiros” irão proliferar as células do estroma, juntamente com as células tumorais, se implantadas em um novo local. A pesquisa em curso foi projetada para determinar se a liberação de fragmentos de tumores primários contendo células tumorais e células do estroma, se essas células estromais sobrevivem e contribuem para o desenvolvimento de metástases, e se a redução das células do estroma pode interferir no crescimento metastático.

 

Experimentos em camundongos confirmaram que células tumorais acompanhadas por células do estroma tinham mais chance de sobreviver. Os trabalhos demonstraram ainda que metástases pulmonares desenvolvidas depois de um tumor primário removido ainda continham células do estroma a partir do sítio primário, e que a redução do número de células do estroma nas metástases de pulmão desacelerou o crescimento do tumor e aumentou a sobrevida dos animais.

 

Para investigar se as células do estroma desempenham um papel semelhante em tumores metastáticos humanos, os pesquisadores examinaram amostras de tumor cerebral de pacientes com diversos tipos de câncer para a presença de fibroblastos. Eles foram frequentemente encontrados em metástases cerebrais – implicando que as células do estroma tinham viajado junto com as células cancerosas do tumor primário – mas não em ambos os tumores cerebrais primários ou tecido normal do cérebro.

 

A equipe usou fibroblastos nas experiências porque eles são quase sempre encontrados em nódulos metastáticos. Contudo, os pesquisadores acreditam que outros tipos de células – como as do sistema imunológico ou endoteliais responsáveis pelos vasos sanguíneos e outras cavidades do corpo – também tenham um papel importante na metástase.

 

Atualmente, prevenir a metástase é uma tarefa difícil, já que estas células de suporte não cancerosas chegam ao local secundário muito antes deste estágio da doença ser detectado. Terapias que bloqueiem a participação dos fibroblastos ou outras células do estroma em lesões metastáticas no momento em que o tumor primário é removido poderiam ajudar a prevenir a propagação de tumores localizados.