Nova técnica com célula-tronco promete produção ilimitada de sangue

Técnica que aumenta produção de células endoteliais a partir de células-tronco pode ser o caminho para produção de sangue em quantidades quase ilimitadas.

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21 Janeiro 2010 | 23h01

 Células-tronco podem ser o caminho para criar sangue. Sangue em abundância. É o que cientistas da Weill Cornell Medical College afirmam, após transformar células embrionárias humanas em células endoteliais, responsável por recobrir o interior de vasos sanguíneos, especialmente os capilares – as menores e mais abundantes veias do corpo. No futuro é possível que estas células possam ser injetadas para recuperar órgãos danificados e tecidos.

Técnica que aumenta produção de células endoteliais a partir de células-tronco pode ser o caminho para produção de sangue em quantidades quase ilimitadas.

Técnica que aumenta produção de células endoteliais a partir de células-tronco pode ser o caminho para produção de sangue em quantidades quase ilimitadas.

Ao que tudo indica, cientistas poderiam criar quantidades ilimitadas de células endoteliais ou pelo menos 40 vezes mais do que a quantidade obtida por meio de antigos procedimentos.

Com base em insights sobre os mecanismos genéticos que regulam a forma pela qual as células-tronco embrionárias formam células endoteliais vasculares, as descobertas também podem auxiliar no estudo de doenças vasculares geneticamente herdadas.

“Esta técnica é a primeira do tipo nesta área com grande potencial para tratamento de uma gama enorme de doenças, especialmente doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e complicações vasculares ocasionadas pela diabetes”, explicou Shahin Raffi, autor do estudo.

Nos últimos anos as células-tronco despertaram esperança em muitas pessoas, por serem capazes de se tornar qualquer uma das mais de 200 tipos de células adultas no corpo. Contudo, os fatores e os passos que conduzem à diferenciação celular (processo pelo qual células-tronco se transformam em outro tipo de célula) ainda permanecem um tanto quanto obscuros.

Focado no objetivo de compreender o processo melhor, Raffi e sua equipe foram em busca de fatores moleculares que entravam em jogo quando as células-tronco se transformavam em células endoteliais. Suas descobertas levaram a uma estratégia que aumenta significativamente a eficiência disso, produzindo mais e mais células. Depois, observaram o processo de diferenciação em tempo real usando um marcador de proteína verde fluorescente. Os cientistas descobriram então que quando eles expuseram as células-tronco a um composto que bloqueia o TGF-beta (fator de crescimento envolvido na especialização das células) no momento certo durante o cultivo celular, a propagação das células endoteliais aumentou muito. Mais: estas células funcionaram corretamente quando injetadas em ratos, e rapidamente assimiladas ao sistema circulatório.

Ainda é cedo para pensar no uso terapêutico da técnica, uma vez que as células endoteliais criadas a partir de uma manipulação do processo de diferencial ainda não é precisa. Além disso, existe o risco de rejeição – cuja solução pode ser a criação de um grande banco de sangue com vários tipos genéticos. Assim, pacientes receberiam o sangue compatível com o seu organismo.