Células-tronco recuperam visão de roedores com retinite pigmentosa

Técnica precisa ser refinada para ensaios clínicos; terapia poderá ser usada em casos de degeneração macular e doença de Stargardt.

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25 Fevereiro 2010 | 00h40

Retinite pigmentosa causa a perda de células da retina, afetando as

Retinite pigmentosa causa a perda de células da retina, afetando as "margens" no campo de visão. Crédito: Columbia University Medical Center.

Células-tronco restauraram a visão de ratos com retinite pigmentosa, doença genética que afeta a retina causando a destruição de suas células. O feito, realizado por uma equipe internacional de cientistas liderados por pesquisadores do Columbia University Medical Center, pode abrir muitas portas para o desenvolvimento de um novo tratamento para uma das principais causas da cegueira no mundo. O estudo detalhado será publicado em março na edição impressa do jornal Transplantation.

Um quarto dos roedores que receberam a injeção de células-tronco recuperou completamente a visão. No entanto, alguns ratos tiveram complicações, como o aparecimento de tumores benignos e descolamento da retina. Os pesquisadores acreditam que com o refinamento da técnica (para diminuir os riscos quando os ensaios clínicos começarem), muitos casos de retinose pigmentar, degeneração macular relacionada à velhice, doença de Stargardt e outros problemas associados à perda de células da retina poderão ser curados.  

Retinite pigmentosa e degeneração macular

As células especializadas da retina, chamadas de epitélio pigmentar da retina, são responsáveis pela visão. Quando algo causa a morte destas células, a pessoa passa a sofrer de retinite pigmentosa, passando a enxergar as coisas como se estivesse em um túnel. As “margens” do  campo de visão são reduzidas consideravelmente, aparecendo de forma borrada ou ondulada.

Na degeneração macular relacionada à idade, as células são afetadas bem no centro da retina, alterando a parte central da visão. Afeta 9 milhões de pessoas nos EUA e cerca de 5 milhões só no Brasil, afetando principalmente indivíduos com mais de 75 anos de idade. Até pouco tempo, a terapia se limitava à fotocoagulação por laser. Atualmente, outras técnicas podem ser utilizadas, como a radiação, cirurgia submacular e drogas antiangiostáticas. Alguns hospitais nos EUA realizam o transplante, mas a opção é limitada pelo escasso número de doadores. As células-tronco, neste sentindo, podem servir como matéria-prima para a produção ilimitada de células da retina.

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