Cerca de 8% do material genético humano é proveniente de vírus

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08 Janeiro 2010 | 14h40

Bornavírus pode ter tido grande influência na formação do genoma humano atual.

Bornavírus pode ter tido grande influência na formação do genoma humano atual.

O mundo realmente não é da forma como imaginávamos. Depois de astrônomos terem anunciado que apenas 15% dos sistemas solares no universo são como o nosso, agora foi a vez de biólogos da Universidade do Texas em Arlington, EUA, revelarem que cerca de 8% do nosso material genético foi criado a partir de vírus, e não de ancestrais.

A pesquisa mostra que o genoma de humanos e outros mamíferos contêm DNA derivado da inserção de bornavirus, vírus RNA cujas replicações e transcrições ocorrem no núcleo. Cédric Faschotte, autor do artigo publicado pela revista Nature, mostrou que o trabalho liderado por Keizo Tomonaga, da Universidade de Osaka, Japão, demonstra como o DNA viral transmitido pode ser a causa de mutação e até de transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia e transtornos do humor. A especulação de Feschotte é de que estas inserções possam ter tido papel significativo em termos evolutivos e médicos.

A assimilação de sequências virais no genoma do hospedeiro é chamado de endogenia. O processo ocorre quando o DNA viral é integrado em um cromossomo de células reprodutivas e, consequentemente, passado de pais para filhos. Até agora, os retrovírus eram os vírus conhecidos por gerar cópias em animais vertebrados. Mas Feschotte disse que os cientistas descobriram que vírus não-retrovirais chamados de bornavirus foram endogeneizados repetidamente nos mamíferos ao longo da evolução.

Os bornavirus (BDV) são chamados assim por causa de Borna, Alemanha, onde uma epidemia viral em 1885 matou diversos cavalos, além de ter infectado uma série de pássaros e mamíferos, incluindo humanos. É único, porque afeta apenas neurônios, estabelecendo uma infecção persistente no cérebro do hospedeiro, e durante todo o seu ciclo de vida se abriga dentro do núcleo das células infectadas.

Feschotte diz que esta associação com os BVS e o núcleo das células fez com que os pesquisadores investigassem o que isto poderia ter sido deixado de “recordação”. Vasculharam então 234 genomas conhecidos como eucarióticos (totalmente seqüenciados) para sequencias similares aos bornavirus.

Os resultados mostraram que houve modificação. Além disso, os cientistas puderam recuperar informações de inserções espontâneas de bornavirus nos cromossomos de células cultivadas e infectadas constantemente por BVD. Tudo indica que estas inserções sejam boa fonte para mutações nas células do cérebro de indivíduos infectados. A pesquisa do laboratório de Feschotte, focado basicamente em elementos de transposição, mostra quais elementos genéticos são capazes de se mover e replicar dentro dos genomas.