Cérebro é peça-chave na regulação da glicose em seres humanos

Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Yeshiva pode mudar tratamento para o diabetes

taniager

08 Novembro 2011 | 15h51

Professora Meredith A. Hawkins (à esquerda) e professora assistente Preeti Kishore (à direita). Crédito: Albert Einstein College of Medicine of Yeshiva University.

Professora Meredith A. Hawkins (à esquerda) e professora assistente Preeti Kishore (à direita). Crédito: Albert Einstein College of Medicine of Yeshiva University.

Um estudo recente poderá mudar o tratamento do diabetes. Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein da Universidade de Yeshiva, nos EUA, conseguiram demonstrar pela primeira vez que o cérebro exerce um papel importante na regulação do metabolismo da glicose (açúcar) em humanos. Um artigo sobre o estudo, “Activation of KATP channels suppresses glucose production in humans“, foi publicado no periódico científico especializado Journal of Clinical Investigation.

Meredith Hawkins, líder da equipe do estudo, explica que um estudo anterior havia gerado controvérsia por ter demonstrado a importância do cérebro na regulação da produção de glicose no fígado em roedores, mas falhado em testes com cães. O estudo recente, no entanto, conseguiu demonstrar que sinais são enviados do cérebro para o fígado quando canais de potássio são ativados no hipotálamo cerebral humano, diminuindo a produção de açúcar.

Os testes foram realizados ministrando a droga diazóxido por via oral em pessoas não diabéticas para ativar os canais de potássio no hipocampo. Ao mesmo tempo, a secreção hormonal no pâncreas (insulina) foi controlada de forma a assegurar que a mudança na produção de glicose era causada apenas pelo efeito da droga no cérebro. Os resultados dos testes de sangue revelaram uma redução considerável da produção de glicose no fígado.

A coautora do estudo, Preeti Kishore, relata que novas investigações estão sendo feitas com pessoas diabéticas e acredita, caso os resultados confirmem o esperado, ser possível restaurar a regulação normal de glicose ao ativar canais de potássio no cérebro.