Cérebro "vê" mãos mais gordinhas e mais curtas do que realmente são

Estudo pode ajudar pesquisadores a identificarem mecanismo por trás de distúrbios alimentares, como a anorexia.

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15 Junho 2010 | 10h55

Estudo pode ajudar pesquisadores a identificarem mecanismo por trás de distúrbios alimentares, como a anorexia. Crédito: UCL.

Estudo pode ajudar pesquisadores a identificarem mecanismo por trás de distúrbios alimentares, como a anorexia. Crédito: UCL.

Nunca mais diga que você conhece o lugar como a palma de sua mão. Afinal, uma pesquisa realizada pela University College London, no Reino Unido, mostra que você não conhece a palma de sua mão como supõe: nosso cérebro pode conter um modelo muito distorcido sobre o nosso próprio corpo.

A equipe publicou um artigo na Proceedings of the National Academy of Sciences, onde mostra que o cérebro tem um modelo mais gordinho e mais curto de nossas mãos. A razão poderia estar na forma como o órgão recebe a informação de diferentes partes da pele.

“Nossos resultados mostram distorções dramáticas no formato da mão, altamente consistente entre os participantes”, revela Matthew Longo, principal autor do estudo. Os participantes do estudo colocaram a palma de suas mãos esquerdas para baixo de uma placa, dizendo onde supunham estar os limites de seus dedos. Uma câmera situada acima registrava a experiência. Juntando todos os resultados, a equipe reconstruiu um modelo e mostrou as marcantes distorções.


Posição de sentido

A ideia da pesquisa era descobrir como um lado do cérebro sabe onde estão todas as partes de nosso corpo no espaço – mesmo quando os olhos estão fechados -, uma habilidade conhecida como “posição de sentido”. Para neurocientistas, esta capacidade requer dois tipos distintos de informação: sinalização que o cérebro recebe do músculo e articulação e um modelo preconcebido do corpo.

O modelo que o cérebro usa foi o foco do estudo. “É claro, nós sabemos como nossas mãos são realmente”, diz Longo. “E nossos participantes foram bem acurados ao escolher uma foto de suas próprias mãos de um apanhado de fotos com várias distorções. Então, há uma clara consciência visual da imagem de nosso corpo também. Mas esta imagem visual parece não ser usada no senso de posicionamento”.

Os resultados do experimento mostram que as pessoas estimavam ter mãos até dois terços mais largas e um terço menor do que realmente são. “Estes resultados podem ser relevantes para condições psiquiátricas envolvendo a imagem corporal, como a anorexia nervosa, já que pode haver uma tendência geral no sentido de perceber a o corpo maior do que é”, ressalta Longo. “Participantes saudáveis tinham uma imagem visual exata dos seus corpos, mas o modelo da mão de um lado do cérebro era muito distorcida. Esta percepção distorcida pode vir a dominar algumas pessoas, levando a distorções da imagem corporal, levando a distúrbios alimentares”.

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