Ciência decifrando a arte: pesquisa mostra a "mágica" de Rembrandt

Técnica pioneira induz pessoas a olharem ao redor do retrato, criando narrativas especiais, tornando calma a experiência de visualizar quadro.

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28 Maio 2010 | 15h53

Na primeira linha, quadros originais de Rembrandt. Abaixo, retratos baseados na técnica do artista, feitos com base em fotografias de pesquisadores. Crédito: UBC.

Na primeira linha, quadros originais de Rembrandt. Abaixo, retratos baseados na técnica do artista, feitos com base em fotografias de pesquisadores. Crédito: UBC.

A ciência pode mesmo decifrar a arte: um pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica mostrou por que os retratos do artista Rembrandt são tão atraentes. De acordo com um estudo publicado na revista Leonardo, Steve DiPaola defende a ideia de que uma técnica pioneira induz as pessoas a olharem ao redor do retrato, criando narrativas especiais, tornando calma a experiência de visualizar o quadro e o personagem em questão.

Como artistas da Renascença geralmente utilizavam diversas técnicas para envolver os espectadores, o pesquisador isolou alguns métodos de iluminação, disposição espacial e perspectivas – identificando características exclusivas de Rembrandt. Usando um programa de computador, DiPaola “recriou” quadros famosos do artista a partir de fotografias de si mesmo e de outros pesquisadores, focando mais algumas áreas específicas do rosto (como os olhos).

Depois, uma equipe observou os movimentos de olhos de espectadores enquanto eles examinavam as fotografias originais e os retratos “tipo Rembrandt”. “Ao ver os retratos no estilo Rembrandt, as pessoas fixaram mais rapidamente a visão nos olhos detalhados, ficando assim por longos períodos, resultando em um movimento mais calmo do olho”, explica DiPaola. “A transição entre o foco e as bordas desfocadas, conhecida como ‘borda de achados e perdidos’ também dirigiu os olhos em todo o retrato em uma espécie de narrativa”.

Além disso, os pesquisadores conseguiram ver que as pessoas em geral preferem retratos que orientem a visão com uma forma de narrativa do que retratos originais com detalhes uniformes em todo o quadro. “Através desta técnica, Rembrandt atua como guia turístico de centenas de espectadores após a sua morte, criando uma narrativa ímpar, guiando os olhos dos outros”, ressalta DiPaola. “Isso pode explicar por que as pessoas apreciam o retrato como uma forma de arte”.

O trabalho indica que Rembrandt já compreendia – consciente ou inconscientemente – a forma como o olho humano se comporta.

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