Extinção do urso das cavernas decorreu da expansão humana

A extinção do urso das cavernas começou há 24 mil anos, mas até agora não se conhecia a causa.

taniager

24 Agosto 2010 | 15h47

Crânio de Ursus spelaeus macho encontrado em Cova Eirós (Triacastela, Lugo). Crédito: cortesia de Grandal-D’Anglade et al.

Crânio de Ursus spelaeus macho encontrado em Cova Eirós (Triacastela, Lugo). Crédito: cortesia de Grandal-D’Anglade et al.

A extinção do urso das cavernas começou há 24 mil anos, mas até agora não se conhecia a causa. Uma equipe internacional de cientistas analisou as sequências de DNA mitocondrial em 17 novas amostras de fósseis, entre outras, e as comparou com as do urso pardo atual. Os resultados mostraram que o declínio do urso das cavernas começou há 50 mil anos, devido à expansão humana e não à mudança climática.

 “O declínio da diversidade genética do urso da caverna (Ursus spelaeus) começou cerca de 50 mil anos atrás, muito mais cedo do que era suposto, em um momento que não coincide com as grandes mudanças climáticas, mas sim com a expansão humana precoce”, revela Aurora Grandal-D’Anglade, coautora do estudo e pesquisadora no Instituto Universitário de Geologia da Universidade de Coruña, Espanha.

Segundo a pesquisa, publicada na revista Molecular Biology and Evolution, as datações radiométricas dos restos fósseis mostraram que o urso das cavernas deixou de ser abundante nos depósitos da Europa Central cerca de 35 mil anos atrás.

“Isto se deve a maior expansão humana e à competição por territórios e refúgios entre humanos e ursos”, explica a pesquisadora, que associa a escassa representação da caça do urso das cavernas no registro abundante de fósseis desta espécie.  

Para chegar a estas afirmações, a equipe científica liderada pelo Instituto Max Planck de Antropologia evolutiva (Alemanha) estudou sequências de DNA mitocondrial em fósseis de urso em regiões da Europa (Sibéria, Ucrânia, Europa Central e Península Ibérica) e realizou uma análise Bayesiana (de probabilidade estatística).

Os cientistas também compararam o DNA destes ursos com aquele do urso pardo atual (Ursus arctos) e conseguiram explicar porque alguns se extinguiram e outros não. Para demonstrar, o estudo abrangeu 59 seqüências de DNA de urso das cavernas com idades entre 60 mil e 24 mil anos e 40 sequências do DNA de urso pardo de 80 mil anos atrás até hoje.   

Declínio das cavernas, ursos em perigo

O empobrecimento dos ecossistemas durante o último pico glaciar foi “o golpe de misericórdia para esta espécie, já em fraco declínio”, aponta a autora.  

O urso pardo atual não sofreu o mesmo destino e perdura até hoje por uma razão muito simples: os ursos pardos não dependiam tanto do habitat em cavernas, que foi sendo degradado. Também, eles não seguiam o mesmo padrão dos ursos da caverna.

“Para hibernar, os ursos pardos utilizam refúgios menos específicos. Na verdade, as descobertas de fósseis destes ursos em depósitos de cavernas não são numerosas”, diz a pesquisadora.

A extinção definitiva dos ursos das cavernas coincide, “em termos gerais”, com o último esfriamento climático do Pleistoceno (entre 25 mil e 18 mil anos atrás), que pode ter produzido falta de abrigos e da vegetação que os alimentavam.

O urso das cavernas habitou a Europa durante o Pleistoceno superior e se extinguiu definitivamente há 24 mil anos, embora em algumas áreas, como as do noroeste da Península Ibérica, perduraram por alguns milênios a mais. Este ursídeo era um animal grande, cerca de 500 kg em média, e devia ser herbívoro. O urso hibernava na profundidade das cavernas, onde restos de indivíduos mortos durante a hibernação se acumularam com o passar do tempo.

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