Cientistas descobrem alvo para apagar as ‘memórias da dor’

Cientistas descobrem alvo para apagar as ‘memórias da dor’

Da redação

13 Fevereiro 2012 | 22h34

Podemos nos esquecer do que comemos no almoço, mas certamente lembramos de quase tudo o que nos causou dor, pois o nosso sistema nervoso central armazena um traço de memória da experiência para ‘avisar’ o corpo diante de uma situação semelhante. Por essa razão, pessoas podem continuar a sentir dor mesmo quando um membro foi amputado. Mas e se fosse possível apagar essa memória?

Uma equipe da Universidade McGill, no Canadá, mostra que o que sempre foi terreno da ficção científica pode, de fato, se tornar realidade algum dia. Os pesquisadores descobriram que os níveis de uma proteína – a quinase PKMzeta, que atua fortalecendo as sinapses (conexões entre os neurônios) – aumentam no sistema nervoso central quando o organismo passa por uma estimulação dolorosa. A hipersensibilidade à dor é neutralizada quando a atividade dessa proteína é bloqueada.

“Muitos medicamentos que têm a dor como alvo funcionam em nível periférico, reduzindo a inflamação ou ativando os sistemas de analgesia no cérebro para reduzir a sensação de dor”, explica Terence Coderre, responsável pela pesquisa. “Essa é a primeira vez que podemos pensar em medicamentos que terão como alvo um traço estabelecido de memória como caminho para a redução da hipersensibilidade à dor”.

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