Cientistas descobrem meio de bloquear proteína que "ajuda" células do câncer

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21 Junho 2010 | 16h44

Células do sistema imunológico combatendo câncer. Crédito: Dr. Raowf Guirguis. National Cancer Institute.

Células do sistema imunológico combatendo câncer. Crédito: Dr. Raowf Guirguis. National Cancer Institute.

Cientistas do Instituto Dana-Farber descobriram um meio de desativar uma proteína comum no organismo que muitas vezes torna o tratamento do câncer ineficaz. A MCL-1, que atua no organismo como um mecanismo “antimorte”, pode ser direcionada por uma ferramenta molecular de forma a permitir que medicamentos consigam desencadear a morte de células do câncer por apoptose (morte celular programada).

“Acreditamos que este é um passo muito importante para o desenvolvimento de um inibidor da MCL-1, que aparece como fator crítico de sobrevivência em vários tipos de câncer humanos, incluindo a leucemia, linfoma, mieloma múltiplo, melanoma e câncer de mama com prognóstico pobre”, diz Loren Walensky, oncologista pediátrico e biólogo químico do instituto e do Hospital Infantil de Boston.

Em experimentos de laboratório, os pesquisadores observaram que a combinação de MCL-1 com um inibidor da classe de agentes convencionais faz com que células cancerosas fiquem mais sensíveis aos medicamentos. Agora, a abordagem será testada em modelos animais.

A proteína MCL-1 pertence à família Bcl-2, grupo de proteínas “yin-yang” que controla o processo de apoptose (um mecanismo pelo qual o organismo se livra de células indesejáveis durante o desenvolvimento embrionário ou de células danificadas ou cancerosas). Os “soldados pró-morte” do time provocam a autodestruição celular, ao passo que “soldados pró-sobrevivência”, como a MCL-1, estabelecem bloqueios para que a morte não ocorra. Células do câncer exploram proteínas como a MCL-1, fazendo com que o organismo se torne resistente à quimioterapia.

Calcanhar de Aquiles

Uma pequena unidade do peptídeo chamada BH3 parece ser o ponto específico de interação entre proteínas pró e antiapoptose. A equipe já havia demonstrado que a estrutura em espiral podia ser reforçada por produtos químicos “grampos”, fazendo com que células cancerosas passassem a se autodestruir.

Os “domínios BH3” se diferenciam de forma sutil: um conjunto de “chaves” diferentes. A ideia da equipe é usar agentes que tenham alvos diferentes das proteínas desta família BCL-2, atingindo subconjuntos e quase todos os membros. Na pesquisa em questão, os pesquisadores buscaram domínios BH3 nas células com a esperança de encontrar um caminho para vincular a MCL-1 e nenhuma outra proteína – servindo como um inibidor específico.

Depois de examinarem um conjunto de domínios BH3, encontraram o que estavam procurando: o domínio BH3 da própria MCL-1. Localizado dentro de um pequeno bolso na estrutura da proteína, atua como uma porta para a ligação com outras proteínas. É por meio desta unidade de encaixe que proteínas pró-morte são impedidas de fazer o trabalho.

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