Cientistas descobrem forma mais eficiente de tratar o câncer de próstata

Equipe da Universidade Monash, na Austrália, demonstra uma forma de matar células cancerosas resistentes à terapia hormonal padrão.

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26 Fevereiro 2010 | 12h23

Células cancerosas da próstata. Crédito: Wikipedia/Nephron.

Imagem microscópica das células cancerosas da próstata . Crédito: Wikipedia/Nephron.

Cientistas da Universidade Monash, na Austrália, descobriram uma nova forma de tratar células castradas resistentes em pacientes com câncer de próstata – o mais comum entre homens australianos. Até agora, o tratamento para a doença envolvia a remoção de hormônios que estimulam as células cancerosas, mas, se a intervenção falhasse e o tumor voltasse a crescer, a doença não tinha mais cura. Entretanto, em artigo publicado pela revista médica PNAS, os pesquisadores demonstram que há uma maneira de reverter o quadro mesmo nestas situações.

De acordo com o estudo, o estrogênio (hormônio importante para as mulheres) pode atuar de forma benéfica nos homens com câncer de próstata: drogas que ativam um dos dois receptores de estrógeno provocam a morte celular. “A morte celular mais comum entre pacientes com o câncer de próstata é conseguida por meio da retirada de andrógenos (hormônios masculinos), que resulta na castração”, explica Gail Risbridger, co-autor do trabalho. É justamente estas células que não conseguem ser removidas, resistentes, que dão origem ao quadro fatal de um paciente.

A equipe usou um medicamento desenvolvido especificamente para ativação seletiva do receptor de estrógeno beta na próstata. Desta maneira, o crescimento de câncer de próstata é contido, matando também as células cancerosas resistentes ao tratamento convencional. A equipe fez a descoberta em modelos animais e, em seguida, replicou com êxito resultados de laboratório com células humanas e de tecidos de pacientes com câncer de próstata.

“A equipe da Universidade Monash descobriu como este composto, trabalhando através dos receptores beta, atinge uma pequena, mas muito importante, população de células no tumor”, ressalta Risbridger. “É uma peça importante do quebra-cabeça que vai ajudar na pesquisa médica neste campo – uma conquista que poderá eventualmente melhorar as opções de tratamento para pacientes com câncer de próstata avançado em todo o mundo”.

O câncer de próstata é a segunda causa mais comum de morte por câncer em homens, atingindo geralmente indivíduos com mais de 50 anos de idade e matando mais de 250 mil pessoas por ano no mundo. A doença ocorre quando há desenvolvimento de um cancro na próstata (células da próstata sofrem mutações e começam a se multiplicar sem controle), uma glândula do sistema reprodutor masculino.

A doença é diagnosticada através de exame físico ou monitoração de exames de sangue, embora seja confirmada por meio de biópsia. Cirurgia, radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia e protonterapia podem ser utilizados no tratamento, mas os efeitos colaterais podem ser devastadores para os pacientes.

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