Cientistas descobrem novo alvo para combater esquizofrenia e Parkinson

Pesquisa identifica proteína que estimula o poder de sinalização de um receptor envolvido na adequação de mensagens entre células cerebrais.

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26 Abril 2010 | 17h41

Proteínas que modulam funções dos receptores acoplados às proteínas-G  estão se tornando tão importantes quanto os próprios receptores.

Proteínas que modulam funções dos receptores acoplados às proteínas-G estão se tornando tão importantes quanto os próprios receptores.

Cientistas da Universidade Rockefeller, nos EUA, identificaram uma proteína que estimula o poder de sinalização de um receptor envolvido na adequação de mensagens entre as células cerebrais. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para a esquizofrenia e o mal de Parkinson.

A proteína norbin interage diretamente com um receptor do neurotransmissor glutamato, fundamental para o processo pelo qual as células se comunicam – desempenhando um papel-chave na aprendizagem e na memória.

Receptores como o que é ligado ao norbin, conhecidos como mGluR5, são proteínas incorporadas à embrana plasmática de uma célula, respondendo a moléculas pequenas chamadas ligantes. Assim que a mGluR5 se conecta a este ligante, a resposta é uma alteração na forma, que em última instância leva ao início do sinal entre as células. Existem várias classes de receptores, e a mais comum é a dos receptores acoplados às proteínas-G (GPCR).


“As proteínas que modulam as funções dos GPCRs estão se tornando tão importantes quanto os próprios receptores, já que representam novos alvos terapêuticos”, diz Marc Flajolet, pesquisador sênior do laboratório molecular e neurociência molecular da universidade. “Cerca de metade das drogas comercialmente disponíveis hoje têm este grupo como alvo”.

O glutamato, um dos mais importantes neurotransmissores, age em muitos GPCRs. Estes receptores estão envolvidos em processos naturais como o desenvolvimento, aprendizagem e memória – bem como estão relacionados a diversas doenças.

Flajolet e o autor principal do estudo Hong Wang procuraram por proteínas que interagem fisicamente com o mGluR5, e encontraram várias, incluindo a norbin. Eles então emparelharam ambos e descobriram que houve não somente o estímulo da atividade da mGluR5 pela norbin, como aumento da mGluR5 na superfície dos neurônios.

As análises de ratos adultos mostram também presença da norbin no hipocampo, amígdala, septo e os núcleos accumbens. Roedores com produção de norbin cortada após o nascimento apresentaram déficit na plasticidade sináptica e comportamento semelhante ao encontrado em um modelo de roedor para esquizofrenia.

“Nosso trabalho demonstra ainda mais a importância das proteínas reguladoras GPCR”, ressalta Flajolet. “Estamos agora investigando o mecanismo pelo qual a norbin afeta a mGluR5, e buscando pistas regulatórias que poderiam modificar a função da norbin e, indiretamente, a atividade de mGluR5”.

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