Cientistas desenvolvem novo modelo animal para pesquisas de hepatite C

Apenas humanos e chipanzés são infectados "naturalmente" pelo vírus da hepatite C, dificultando o trabalho de muitos pesquisadores.

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06 Julho 2010 | 12h02

Apenas humanos e chipanzés são infectados pelo vírus da hepatite C, dificultando o trabalho de pesquisadores. Crédito: Helmholtz-Center for Infection Research.

Apenas humanos e chipanzés são infectados pelo vírus da hepatite C, dificultando o trabalho de pesquisadores. Crédito: Helmholtz-Center for Infection Research.

O vírus da hepatite C é altamente especializado, e os seres humanos são os seus hospedeiros naturais. Apenas chipanzés podem ser infectados com o vírus em laboratório. Embora pesquisadores possam testar alguns medicamentos em culturas de células do fígado, saber se uma abordagem é eficaz em pacientes depende muito dos resultados em animais. Agora, um time da Twincore está adaptando o vírus da hepatite C para ratos, permitindo que pesquisadores consigam dar os próximos passos contra a doença.  

Roedores têm o sistema imunológico muito semelhante ao dos seres humanos. Apenas quando experiências com ratos são bem sucedidas que os pesquisadores podem correr o risco de testá-las nos homens também.

O fato do vírus da hepatite C só infectar seres humanos e chipanzés é parcialmente um resultado de como ele acessa a célula. O vírus precisa se ligar em quatro pontos diferentes da superfície celular do fígado, desencadeando um mecanismo particular, que transporta o invasor para as células do órgão.

“Os ratos também têm estes receptores nas células do fígado, em princípio”, diz Julia Bitzegeio, do Departamento de Virologia Experimental da TWINCORE. “Entretanto, eles não se encaixam na superfície do vírus”.

Duas moléculas específicas nos ratos impedem que o vírus se ligue aos receptores. Então, os pesquisadores recorreram a um truque: tiraram o receptor CD81 de células do fígado de seres humanos e “implantaram” no modelo animal. Produziram um campo elétrico que fez minúsculos furos na membrana celular e introduziram o vírus da hepatite C artificialmente por estes espaços. Resultado: o vírus penetrou as células com receptor CD81 de ratos mesmo sem assistência.

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