Cientistas identificam como genes "errados" são reprimidos

Proteína PRC2 é levada aos genes-alvos. Lá, é capaz de metilar a cromatina, prevenindo ativação de genes reguladores de desenvolvimento.

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11 Junho 2010 | 17h31

PRC2 é trazida para que seus genes-alvo de ligação ao RNA curto transcrita pela RNA polimerase II. Ela bloqueia a transcrição completa dos genes reguladores do desenvolvimento que, de outra forma agir para alterar a identidade da célula

PRC2 é trazida para os seus genes-alvo apesar da ligação com o RNA curto transcrito pela polimerase II do RNA. Ela bloqueia a transcrição completa dos genes reguladores do desenvolvimento que, de outra forma agir para alterar a identidade da célula

Cientistas da University College London, no Reino Unido, descobriram o mecanismo pelo qual genes “errados” são reprimidos durante a diferenciação celular – processo em que uma célula-tronco embrionária dá origem a outras células.

Uma proteína chamada PRC2 (polycomb repressive complex-2), pertencente ao grupo polycomb – conhecidamente associado à supressão de genes -, é levada aos “genes-alvos” (apesar da ligação com uma nova classe de RNAs curtos, transcritos por polimerase II de RNA). Uma vez lá, a proteína é capaz de metilar a cromatina, prevenindo a ativação de genes reguladores de desenvolvimento. Caso isso não ocorra, estes genes mudam a identidade da célula.

Um mecanismo chave das células-tronco é a supressão de genes que futuramente podem ser ativados para conduzir a diferenciação em células específicas maduras (como as do sistema imunológico ou neurônios).

“Nós sabíamos que diferentes conjuntos de genes eram ligados em diferentes células e que as proteínas polycomb evitavam que genes errados fossem ligados; por exemplo, as polycomb previnem a ativação de genes neurais em células do sistema imunológico”, diz Richard Jenner, autor sênior do estudo. “Entretanto, embora as proteínas polycomb reprimam os genes, elas estão na verdade em um estado equilibrado – algum tipo de atividade genética parece ocorrer”.

O pesquisador ressalta que a equipe estava empenhada em descobrir o que era realmente esta atividade, e a identificação destes pequenos RNAs explicam este estado “inusitado” dos genes.

Descobrir que os polycomb também se ligam a estes RNAs mostra como estas proteínas podem ser recrutadas pelos genes, que são então reprimidas para manter a identidade de diferentes tipos de células. “Esta foi por algum tempo uma questão importante na área e tem fortes implicações em como nós podemos ser capazes de controlar o destino destas células na produção de tecidos (do corpo)”.

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