Cientistas identificam curioso mecanismo da memória de longo prazo

Pesquisadores identificaram mudança na taxa de absorção química de um conjunto específico de neurônios fundamentais.

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14 Abril 2011 | 20h51

Pesquisadores do The Scripps Research Institute identificaram uma mudança na taxa de absorção química de um conjunto específico de neurônios fundamentais na formação da memória de longo prazo. O estudo, realizado com moscas de frutas, foi publicado no Journal of Neuroscience e dá novos insights sobre o processo de aprendizagem do cérebro humano.

“No estudo sobre aprendizagem e armazenamento de memória de longo prazo em moscas de fruta observamos um aumento do influxo de cálcio em um conjunto específico de neurônios do cérebro em moscas normais, que estava ausente em 26 diferentes tipos mutantes conhecidamente com memória de longo prazo prejudicada”, explica Ron Davis, presidente do Departamento de Neurociência do Scripps Research, que liderou o trabalho. “A conclusão lógica é que este aumento, que chamamos de um traço de memória, é um componente de assinatura da memória de longo prazo”.

O traço de memória em questão é um aumento do influxo de cálcio em um conjunto de neurônios depois que a memória de longo prazo se forma em uma parte do cérebro dos insetos conhecido como corpos cogumelares, um par de grandes lobos conhecido por mediar a aprendizagem e a memória – especialmente as memórias de cheiro. Esta região é comparada ao hipocampo dos seres humanos, um local de formação da memória.

Aumentos no influxo de cálcio também ocorrem com a aprendizagem em outros modelos animais e, ao que parece, há uma correlação semelhante em humanos.

Medindo a memória

Para medir as mudanças nos neurônios da drosófila, a equipe usou imagens funcionais de óptica – uma tecnologia avançada e pioneira no estudo da aprendizagem e da memória. Utilizando sensores de proteínas que se tornam fluorescentes quando os níveis de cálcio aumentam, os pesquisadores foram capazes de destacar as mudanças nos níveis de influxo de cálcio dos neurônios no corpo cogumelar em resposta ao odor de aprendizagem. Estes traços de memória observados ocorrem em paralelo às mudanças de comportamento.

Curiosamente, esses traços de memória ocorrem apenas com o condicionamento espaçados, ou seja, quando os insetos recebem múltiplos episódios de aprendizagem, mas com períodos de descanso entre os episódios. Isso é necessário para a formação de memória de longo prazo. Em um estudo anterior realizado no final de 2010, a mesma equipe descobriu que não apenas as moscas de frutas que recebiam condicionamento espaçado exibiam memória de longo prazo, mas também que suas memórias duravam entre quatro e sete dias. Em moscas submetidas a somente um único episódio de aprendizagem, a formação da memória durou apenas um dia e a memória de longo prazo não era formada.

“O fenômeno de condicionamento espaçado é conservado em todas as espécies”, ressalta Davis. “Ninguém sabe realmente por que é importante para a formação da memória de longo prazo, mas parece haver algo mágico sobre aquele período de descanso durante o aprendizado”.