Novo alvo terapêutico para tratamento da esclerose lateral amiotrófica

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01 Julho 2010 | 14h27

Imagem mostra parte da medulla de um rato. Em marrom, microglias – as células que direcionam o 	SOD1 e produzem IL-1beta. Crédito: MPI for Infection Biology/Meißner/Molawi/Zychlinsky.

Imagem mostra parte da medulla de um rato. Em marrom, microglias – as células que direcionam o SOD1 e produzem IL-1beta. Crédito: MPI for Infection Biology/Meißner/Molawi/Zychlinsky.

Cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, identificaram um alvo terapêutico para o tratamento de esclerose lateral amiotrófica – ELA – (também conhecida como doença de Lou Gehrig e que atinge o célebre físico Stephen Hawking), doença neurodegenerativa progressiva e fatal. De acordo com os pesquisadores, uma molécula de sinalização pode ser o caminho. Em experimentos com roedores, o bloqueio da mesma melhora o desempenho motor e aumenta a expectativa de vida, indicando uma nova abordagem para o tratamento em seres humanos.

A equipe está particularmente interessada em saber como a inflamação inicia o processo infeccioso. Eles descobriram que a enzima superóxido  dismutase 1 (SOD1) regula a inflamação e controla a atividade de outra enzima, a caspase 1. Esta última, por sua vez, divide e incita a proteína interleucina 1 (IL0-1beta) a ativar, começando o processo inflamatório.

Curiosamente, sabe-se que mutações na SOD1 causam uma forma hereditária da esclerose lateral amiotrófica. Geralmente, pacientes com ELA têm inflamações e mostram níveis elevados de caspase-1 ativa. “A caspase 1 provavelmente desempenha um papel similar na doença com faz em doenças infecciosas”, ressalta Arturo Zychlinsky, do Max Planck.

Enquanto se preparam para novos testes, os pesquisadores já são capazes de provar que em pacientes com esclerose lateral amiotrófica, proteínas SOD1 desdobradas são acumuladas dentro dos neurônios – indicando um caminho perigoso para células reagirem ativando a caspase 1, que consequentemente cliva a iterleucina-1beta, desencadeando a inflamação. A inflamação decorrente destrói pouco a pouco os neurônios que conduzem a atividade motora.  

Quando ratos com mutações na SOD1 foram tratados com uma proteína que bloqueia a interleucina-1beta, a reação inflamatória não foi apenas atenuada, como os sintomas foram reduzidos, prolongando a vida dos animais. Agora, a equipe está planejando ensaios clínicos (com seres humanos) para testar se um procedimento similar em pessoas é viável.

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