Cientistas identificam variantes associadas ao envelhecimento biológico

Estudo com genoma humano mostra que algumas pessoas estão programadas geneticamente para envelhecer mais rápido.

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08 Fevereiro 2010 | 23h32

Telômeros ficam nas

Telômeros ficam nas "pontas" do cromossomo. Cada vez que uma célula se duplica, duplica os cromossomos, e as extremidades do original são perdidas. Crédito: Creative Commons.

Cientistas identificaram pela primeira vez variantes associadas ao envelhecimento biológico em seres humanos. A equipe analisou mais de 500 mil variações genéticas em todo o genoma humano para identificar as variantes que estão localizadas perto de um gene chamado TERC. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Leicester,  King’s College London e Universidade Groningen, foi publicado esta semana pela Nature Genetics.

Nilesh Samani, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, é um dos autores da pesquisa e explica que há duas formas de envelhecimento – o envelhecimento cronológico, que mostra que você está ficando mais velho ao longo dos anos, e o envelhecimento biológico, em que células de alguns indivíduos são mais velhas (ou menos, em alguns casos) do que o sugerido pela sua idade real.

“Não existem evidências de que o risco de doenças associada a idade, incluindo doenças cardíacas e alguns tipos de câncer, esteja mais estreitamente relacionada com a idade biológica, e não cronológica”, afirma Samani. “Estudamos estruturas chamadas telômeros, que são parte de um cromossomo. Os indivíduos nascem com telômeros de certo comprimento e, em muitos telômeros, este comprimento muda conforme a célula se divide ou envelhece. O comprimento do telômero é, portanto, considerado um marcador do envelhecimento biológico”.

Os pesquisadores observaram que indivíduos com uma variante genética tinham telômeros mais curtos, ou seja, pareciam biologicamente mais velhos. Dada a associação dos telômeros mais curtos com a idade e doenças associadas, a pergunta agora é se pessoas com essa variante têm um risco maior de desenvolver problemas decorrentes do envelhecimento.

“As variações identificadas estão perto de um gene chamado TERC, que já é conhecido por desempenhar um papel importante na manutenção do comprimento dos telômeros”, explica Tim Spector, da King’s College London e co-autor do projeto.

“Este estudo sugere que algumas pessoas estão geneticamente programadas para envelhecer num ritmo mais rápido. O efeito foi bastante considerável em pessoas com a variante, o equivalente a três ou quatro anos de ‘envelhecimento biológico’ pela perda do comprimento. Alternativamente, as pessoas geneticamente suscetíveis a envelhecer podem envelhecer ainda mais rápido quando expostas a um ambiente negativo para os telômeros, como o tabagismo, obesidade e falta de exercício”, completa.

Os telômeros e o relógio biológicoOs telômeros são estruturas formadas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não-codificante que formam as extremidades de um cromossomo. Cada vez que a célula se divide, os telômeros ficam mais curtos. Com o passar dos anos, esta célula perde parte a capacidade de divisão, pois os telômeros estão curtos demais e a replicação dos cromossomos se desestabiliza – causando eliminação ou silenciamento de alguns genes.

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