Vários tipos de câncer compartilham as mesmas aberrações genéticas

Mapeamento do genoma de 26 cancros revela que alterações no DNA são similares em diversos casos e que terapia genética pode ser a solução.

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22 Fevereiro 2010 | 16h27

Pesquisadores analisaram código genético de 26 tipos de câncer, incluindo o de mama.

Pesquisadores analisaram código genético de 26 tipos de câncer, incluindo o de mama.

Uma análise do genoma de 26 tipos de câncer mostra que anormalidades genéticas podem ser compartilhadas por diferentes tipos de cancro. Mais de cem locais do DNA apresentam ausências ou repetições anormais de genes, sugerindo que novos tratamentos podem ser realizados com base num mesmo tipo de aberração genética. A pesquisa, liderada por especialistas dos institutos Dana-Farber e Broad, mostra que dois genes, MCL1 e BCL2L1, podem atuar na manutenção do crescimento do tumor em muitos casos da doença.

“Nossos resultados mostram que muitas alterações do genoma são universais, em diferentes tipos de câncer”, explica Matthew Meyerson, autor sênior do projeto. “Embora se soubesse que há semelhança em alguns tipos de câncer, o grau de similaridade entre tantas alterações surpreendeu”.

Atualmente, o câncer tem sido caracterizado abordado pelo aparecimento do cancro em certos órgãos do corpo e o aparecimento de células tumorais. Embora este tipo de informação seja importante, essa leitura da doença impede uma interpretação molecular dos tumores, que poderia auxiliar em um diagnóstico mais preciso e terapias mais eficazes. Os resultados da nova pesquisa sugerem que a terapia genética pode incrementar a abordagem contra o câncer no futuro.

Em 2004, uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto Dana-Farber e Instituto Broad lançou um projeto para mapear em detalhes as mudanças genéticas em diferentes tipos de câncer. Os cientistas se concentraram em uma mudança específica, em que segmentos de DNA de um tumor apresentam cópias anormais, ou seja, em vez de dois exemplares, os tumores geralmente apresentam ausência ou várias cópias de um pedaço de DNA.

Como outros tipos de mutações que desorganizam os genomas das células tumorais, a maioria destas anormalidades não desempenha um papel significativo no crescimento do câncer, mas serve como indicador importante ao apontar genes específicos que ajudam a promover e manter os cancros no organismo. O desafio agora é saber, de fato, quem conduz o processo.

Os pesquisadores coletaram amostras de mais de 2.500 tumores, representando mais de 20 tipos de câncer, incluindo o de pulmão, próstata, mama, ovário, cólon, esôfago, fígado, cérebro e cancros do sangue. A análise e comparação com dados coletados anteriormente permitiu montar um catálogo detalhado das anormalidades presentes. Uma das alterações mais presentes tende a aparecer em dois tamanhos: uma relativamente longa, sobre o comprimento de um cromossomo inteiro, ou curta, como um braço de cromossomo, compreendendo 0,03% do genoma humano.

Então, os pesquisadores deram ênfase ao estudo da aberração “mais curta” – já que seria mais fácil indicar os genes do câncer. Foram identificadas 150 anomalias que não eram anteriormente associadas ao crescimento celular do câncer. Ao analisar cuidadosamente estes “pedaços”, os pesquisadores verificaram que eles atuavam em importantes funções biológicas do câncer, tal como a morte celular.

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