Lua de Saturno tem ciclo hidrológico como a Terra

Titã apresenta mudanças climáticas de longo prazo, resultando em precipitação, evaporação e variação do volume de líquido nos lagos.

taniager

15 Julho 2010 | 14h44

O radar SAR mapeou o lago Ontário, o maior lago no hemisfério sul de Titã. O rastreamento mostra que Ontário descansa em uma região de base rasa. Os dados de junho 2005 e de junho / julho de 2009 do lago são mostrados em turquesa e azul, respectivamente. Durante o período de observação de quatro anos o lago diminuiu em 10 km de extensão e reduziu sua profundidade média em aproximadamente 1 m / ano. Crédito: Radar Science Team, NASA/JPL/Caltech.

O radar SAR mapeou o lago Ontário, o maior lago no hemisfério sul de Titã. O rastreamento mostra que Ontário descansa em uma região de base rasa. Os dados de junho 2005 e de junho / julho de 2009 do lago são mostrados em turquesa e azul, respectivamente. Durante o período de observação de quatro anos o lago diminuiu em 10 km de extensão e reduziu sua profundidade média em aproximadamente 1 m / ano. Crédito: Radar Science Team, NASA/JPL/Caltech.

A lua de Saturno tem ciclo hidrológico com líquido permanente em sua superfície.  Como a Terra, Titã apresenta mudanças climáticas de longo prazo, como precipitação, evaporação e variação do volume de líquido corrente. Esta é a conclusão de uma equipe de cientistas da Caltech (Instituo da Califórnia de Tecnologia), EUA, após análise dos dados enviados pela sonda Cassine durante quatro anos.

Com os dados da Cassine da NASA, a equipe liderada por Alexander G. Hayes obteve evidências convincentes da queda de um metro por ano dos níveis dos lagos no hemisfério sul de Titã.  

A diminuição resulta da evaporação sazonal dos lagos devido às temperaturas frígidas de Titã (cerca de menos 300 graus Fahrenheit nos pólos). Estes lagos são compostos, basicamente, de metano líquido, etano e propano.

O lago Ontario e outros lagos do hemisfério sul foram analisados usando os dados de imagem do radar SAR da Cassine. Os dados forneceram informações sobre a composição e topografia do leito.

Segundo Hayes o líquido é bem transparente, como gás natural líquido. Por esta razão, o radar pode “ver” através do líquido dos lagos a uma profundidade de vários metros. “Quando a profundidade é grande o suficiente para embaçar sua visão, o radar registra sombras negras”, acrescentou.

As medições de batometria e suas correlações geológicas são apresentadas em artigo publicado no Journal of Geophysical Research (JGR).

Os investigadores compararam as imagens do lago Ontario obtidas durante os quatro anos e descobriram que ele havia encolhido. “A extensão da diminuição do lago está relacionada com a inclinação, ou seja, onde o lago é raso, o líquido recuou mais”, diz Hayes. “Isso nos permite deduzir a altura vertical através da qual a profundidade do lago diminuiu em cerca de um metro por ano.”

Os pesquisadores também analisaram a evaporação do metano dos lagos, comparando os dados registrados em 2007 e 2009.  Durante esse período, a escuridão “aparente” dos lagos foi atenuada, indicando que o volume líquido diminuiu ou desapareceu completamente em algumas regiões.

Os lagos do hemisfério norte de Titã também foram objeto de investigação, mas até agora nenhuma mudança análoga foi detectada conclusivamente. Mas isto não significa que mudanças não ocorreram. Os lagos desta região são muito profundos, o que dificulta a análise. Os cientistas continuarão vasculhando a área para determinar variações climáticas de longo prazo.

Veja também:

Atmosfera de Titã pode dar pistas sobre como a vida surgiu na Terra
Astrofísicos provam que satélites de Saturno são “filhotes” de seus anéis
Estudo de nova classe de supernovas pode explicar cálcio dos ossos

Leia mais sobre: astronomia.