Cientistas revelam parte do "mistério" da morte súbita cardíaca

Equipe usou modelos computacionais detalhados que podem salvar muitas vidas como tratamento preventivo em pacientes de alto risco.

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05 Julho 2010 | 15h00

Controle do risco em pacientes com síndrome do nó sinusal poderia ser feito pela utilização de medicamentos ou mesmo pelo implante de um marcapasso artificial.

Controle do risco em pacientes com síndrome do nó sinusal poderia ser feito pela utilização de medicamentos ou mesmo pelo implante de um marcapasso artificial.

Cientistas da Universidade de Manchester, no Reino Unido, conseguiram revelar parte do mistério da “morte súbita cardíaca”. Em uma pesquisa pioneira, a equipe usou modelos computacionais detalhados que podem ajudar a salvar muitas vidas como tratamento preventivo em pacientes de alto risco (com um tipo de distúrbio do ritmo cardíaco conhecido como síndrome do nó sinusal).

Pessoas com a síndrome do nó sinusal têm um problema para controlar o ritmo do coração. Até então, ninguém sabia explicar direito a razão. O estudo em questão conseguiu demonstrar como mutações genéticas e atividades do sistema nervoso podem se combinar causando uma perturbação no ritmo cardíaco.

Saber o que pode causar o problema é uma forma de identificar também pessoas que têm mais risco de morte súbita cardíaca – algo que afeta pessoas de qualquer idade, embora seja mais comum em idosos saudáveis e atletas bem treinados. O controle do risco poderia ser feito pela utilização de medicamentos ou mesmo pelo implante de um marcapasso artificial.

Morte Cardíaca Súbita

A morte cardíaca súbita acontece após uma perda abrupta de consciência, cerca de uma hora depois de começar os sintomas agudos. Cerca de 30% das mortes ocorrem à noite, já que a frequência cardíaca pode diminuir drasticamente. Na maioria das vezes é uma decorrência da doença do nó sinusal, caracterizada não pela transformação estrutural do coração, mas por mutações genéticas que alteram uma proteína (SCN5A) que está envolvida na geração de atividade elétrica do coração.

Atividade elétrica

Usando medições experimentais do nó sinoatrial em conjunto com modelos de computador mais detalhados, os pesquisadores conseguiram simular a atividade elétrica do tecido cardíaco. A equipe descobriu que existe uma substância química presente no sistema nervoso de indivíduos saudáveis que age para diminuir o ritmo cardíaco. Mas, em pacientes com a síndrome, esta atuação pode se “espalhar” por todo o órgão, comprometendo suas funções.

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