Cientistas medem velocidade com que mutações ocorrem nas plantas

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04 Janeiro 2010 | 15h03

O estudo levou em conta cinco linhas de Arabidopsis thaliana durante 30 gerações. Crédito: Detlef Weigel.

O estudo levou em conta cinco linhas de Arabidopsis thaliana durante 30 gerações. Crédito: Detlef Weigel.

Quando Charles Darwin formulou a teoria da Seleção Natural, o mundo pode constatar as evidências de que a diversidade biológica é o resultado de um processo de descendência com modificação. Agora, cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, e da Universidade de Indiana, Estados Unidos, vão além, medindo a velocidade com que as mutações ocorrem nas plantas. Entre as principais vantagens do estudo está a explicação da resistência aos herbicidas após alguns anos de utilização.

 A pesquisa analisou todas as mudanças genéticas em cinco linhas de mostarda Arabidopsis thaliana, durante 30 gerações. A comparação detalhada de todo o genoma revelou que, ao longo de poucos anos, cerca de 20 blocos de DNA, os pares de base, tinham sido transformados em cada uma das cinco linhas.

As alterações, embora pareçam irrelevantes, podem resultar em diferenças marcantes em curto prazo, afinal, em uma amostra de 60 milhões de plantas (um número não tão expressivo em termos de sementes, já que cada geração produz milhares de sementes) de Arabidopsis, cada letra do genoma é alterada em média uma vez.

Além da velocidade das mutações, o estudo também revela que nem todas as partes do genoma são igualmente afetadas. Com quatro letras do DNA diferentes, há seis possíveis mudanças, mas apenas uma alteração é responsável por metade de todas as mutações encontradas. Os novos dados também indicam que o tempo desde que espécies tenham sido separadas possa ser maior, afetando estimativas da idade de animais e plantas pré-históricas.

Os resultados da pesquisa indicam que em populações suficientemente grandes, pelo menos uma mutação de genoma deve estar presente. Identificá-la pode ser o caminho para aumentar o rendimento ou a resistência de uma planta à seca, embora ainda se revele uma tarefa um tanto desafiadora. De qualquer maneira, as novas descobertas explicam por que as ervas daninhas se tornam rapidamente resistentes aos herbicidas, já que estes afetam apenas a função de genes individuais.

Novos olhares também podem ser lançados para evolução humana: se pudéssemos aplicar os resultados para os homens, cada um de nós teria cerca de 60 novas mutações. Com mais de 6 bilhões de pessoas no planeta, isso implicaria em mudanças no genoma em dezenas de cidadãos.