Cientistas sintetizam família única de compostos anticancerígenos

Pesquisa "encurta" processo para a fabricação de moléculas em laboratório que podem ser promissoras na luta contra as células doentes do organismo.

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18 Fevereiro 2010 | 02h28

Um dos compostos sintetizados por pesquisadores da Yale destrói células de ovário cancerosas (detalhes ovais) em menos de 48 horas. Crédito: Gil Mor.

Um dos compostos sintetizados por pesquisadores da Yale destrói células de ovário cancerosas (detalhes ovais) em menos de 48 horas. Crédito: Gil Mor.

Cientistas da Universidade de Yale, nos EUA, racionalizaram um processo para a síntese de uma família de compostos com potencial para matar o câncer e outras células doentes, descobrindo que eles representam uma única categoria de agentes anticancerígenos.

A equipe estudou uma família de compostos conhecidos como kinamycins, que são produzidos naturalmente por bactérias durante o metabolismo e conhecidas por sua alta toxicidade. Por anos, cientistas imaginaram que uma estrutura de base comum para os diferentes compostos do grupo seria responsável por este toxicidade. Até então, químicos não podiam estudar a estrutura do núcleo, pois não havia uma forma simples de criá-lo em laboratório.

Agora os pesquisadores desenvolveram um novo método para recriar esta estrutura que lhes permite sintetizar kinamycins com eficiência bem maior. A equipe de Yale foi capaz de reduzir pela metade o número de etapas necessárias no processo.

“Ao encurtar a síntese, podemos então preparar essas moléculas nas quantidades necessárias em estudos futuros, incluindo testes em animais e ensaios clínicos, mesmo”, afirma Seth Herzon, autor do estudo.

Os pesquisadores testaram alguns dos compostos em células cancerosas, e os resultados preliminares foram promissores. O passo seguinte é tentar entender o mecanismo exato que faz com que estes compostos, benignos em principio, possam se tornar tão tóxicos ao penetrar nas células.

“A chave para o sucesso será conseguir desenvolver seletividade – se podemos ou não matar células cancerosas na presença de tecidos não-cancerosos”, explica Herson. “Baseado no que já sabemos sobre a reatividade química dessas moléculas, estou otimista que poderemos fazer isso”.

O núcleo reativo dos kinamycins também desempenha um papel fundamental no outro composto que a equipe está estudando, o lomaiviticin A, ainda mais tóxico e com maior potencial para destruir células cancerosas. Entretanto, ele é bem mais difícil de ser sintetizado. “Tanto o kinamycin quanto o lomaiviticin A são únicos em seus perfis de toxicidade, o que representa uma nova categoria de agentes anticâncer”.

“Não existe nada parecido para conseguirmos prever como essas moléculas irão se comportar, o que torna a pesquisa especialmente interessante”, acrescenta Herzon. “Este estudo envolve muita química, mas também tem aplicações reais na biologia e na medicina”.

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