Cola intracelular tem papel crucial na diferenciação de células-tronco

Equipe mostra que sem caderina-E nenhuma célula-tronco embrionária é capaz de se tornar pluripotente.

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27 Maio 2011 | 15h27

Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar, num processo conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue.

Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar, num processo conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue.

Pesquisadores do Max Delbruck Center for Molecular Medicine (MDC), na Alemanha, descobriram o que permite que células-tronco embrionárias se diferenciem em diversos tipos de células e se tornem, assim, pluripotentes: a presença da molécula caderina-E – até então conhecida por seu papel na mediação da adesão celular, funcionando como uma espécie de “cola intracelular”. A molécula também tem um papel crucial na reprogramação de células somáticas (do corpo) em células-tronco pluripotentes.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores usaram fibroblastos embrionários de camundongos em suas experiências. Em um primeiro momento, mostraram que a pluripotência das células-tronco está diretamente associada com a adesão da molécula caderina-E. Se ela está ausente, células-tronco perdem a sua pluripotência.

Numa segunda etapa, a equipe analisou o que ocorre quando células somáticas (que normalmente não têm caderina-E nem são pluripotentes) são reprogramadas para um estado pluripotente. Nesta técnica de reprogramação, células somáticas são convertidas em células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Os pesquisadores descobriram que, ao contrário de células originais, as novas células pluripotentes derivadas de tecidos conjuntivos de ratos continha, caderina-E.

“Assim, temos uma prova dupla que a caderina-E está diretamente associada a pluripotência das células-tronco. A caderina-E é necessária para a manutenção de células-tronco pluripotentes e também para induzir o estado pluripotente na reprogramação de células somáticas”, explica Daniel Besser, um dos responsáveis pelo trabalho.

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