Perigo camuflado: colesterol bom nem sempre é tão bom em algumas pessoas

Pesquisa mostra que alguns pacientes com níveis altos de HDL têm maior tendência a sofrer ataques cardíacos e outros eventos coronários.

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25 Maio 2010 | 13h06

Pesquisadores usaram uma ferramenta de mapeamento gráfico para identificar o grupo de risco. Crédito: University of Rochester Medical Center.

Pesquisadores usaram uma ferramenta de mapeamento gráfico para identificar o grupo de risco. Crédito: University of Rochester Medical Center.

O colesterol bom nem sempre é bom. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Rochester, nos EUA, alguns pacientes com níveis altos de HDL têm maior tendência a sofrerem de eventos coronários, como dores no peito, ataque cardíaco e, eventualmente, morte.

O trabalho, publicado no Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology, do jornal da Associação Americana do Coração, pode explicar alguns resultados insatisfatórios realizados em ensaios clínicos com uma droga projetada para aumentar o “colesterol bom”. Os testes foram interrompidos com o medicamento torcetrapib em 2006 devido a um número surpreendentemente excessivo de problemas cardiovasculares e mortes.

“Parece intuitivo que o aumento do colesterol bom, que sempre pensei ser uma proteção, leve a consequências negativas em algumas pessoas”, diz James Corsetti, responsável pelo estudo. “Nós confirmamos que altos níveis de colesterol HDL é, na verdade, associado ao risco em um certo grupo de pacientes”.

A equipe conseguiu identificar um grupo de pacientes em que o índice elevado de “colesterol bom” os coloca em desvantagem. “A habilidade de identificar pacientes que não irão se beneficiar dos esforços para aumentar o colesterol HDK é importante, porque eles podem ser excluídos dos testes de medicamentos que visam aumentar o colesterol bom”, ressalta Charles Sparks, co-autor do estudo. “Com esses pacientes excluídos, os pesquisadores podem descobrir que a elevação de HDL na população ainda é eficaz na redução do risco de doença cardiovascular”.

Pacientes que não são beneficiados com o dito colesterol bom apresentam altos níveis da proteína C-reativa (CRP), um marcador conhecido da inflamação. Os pesquisadores acreditam que fatores genéticos e ambientais podem influenciar no efeito do HDL no organismo. No subgrupo de alto risco, a equipe também identificou dois fatores genéticos associados aos eventos coronarianos recorrentes: a atividade da proteína de transferência de éster de colesterol (CETP) – que move o colesterol para longe do sistema vascular e está associada ao bom colesterol – e a p22phox – que influencia processos associados a inflamações.

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