Coluna de Psicologia – A consciência infantil

Psicóloga Regiane Canoso fala sobre o processo de formação e continuidade de consciência nas crianças.

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09 Março 2011 | 11h41

Na coluna passada falei sobre a natureza infantil, enfatizando mais o estado biológico e social da criança; nesta coluna vou falar um pouco sobre  a consciência infantil.

A consciência se desenvolve a partir de certos começos, e não surge logo como algo de completo e acabado. Nos primeiros anos de vida quase não se verifica consciência alguma, apesar de que já muito cedo seja evidente a presença de processos psíquicos. É na criança que se dá esse desenvolvimento da consciência.

Esses processos não estão relacionados a nenhum “eu”, não têm um centro, e por isso carecem de continuidade – sem a qual é impossível a consciência. Somente quando a criança começa a dizer “eu” é que tem começo a continuidade de consciência, já perceptível, mas por enquanto ainda muito interrompida. Esse processo propriamente nunca cessa no decurso da vida inteira, porém torna-se cada vez mais lento.

Jung considera que pela educação e formação das crianças procuramos auxiliar este processo. A escola é apenas um meio que procura apoiar de modo apropriado o processo de formação da consciência, caso contrário as crianças continuariam inconscientes em grau muito maior, e quando adultas não passariam de primitivas, apesar de toda inteligência natural de que dispõem.

Para Jung o estado inconsciente de si mesmo, que se estende pelos dois ou três primeiros anos de vida, pode ser comparado ao estado psíquico animal. O indivíduo se acha inteiramente fundidos com as condições do meio ambiente. Do mesmo modo que a criança, durante a fase embrionária, quase não passa de uma parte do corpo materno, do qual depende completamente, assim também de modo semelhante à psique da primeira infância, até certo ponto, é apenas parte da psique materna e, logo depois, também da psique paterna, tudo isso em consequência da atuação comum dos pais.

Começa a ocorrer uma mudança logo que a criança desenvolve a consciência do próprio “eu”, uma característica externa quando ela começa a dizer “eu”. Esta mudança normalmente ocorre entre os três e cinco anos de idade, mas pode ocorrer antes. A partir desse momento pode-se dizer que já existe uma psique individual, lembrando que esta psique individual costuma atingir uma relativa independência apenas após a puberdade.

Abraços e até a próxima coluna!

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Regiane L. Canoso Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.

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Regiane L. Canoso Lopes is a psychologist specializing in Jungian psychology and health psychology. Signs this fortnightly column. If you have suggestions, criticisms or questions, send an email to rcanoso@cienciadiaria.com.br.