Coluna de Psicologia – A escolha do parceiro para procriação

Psicóloga Regiane Canoso explica os aspectos psicossociais e psíquicos da constituição do masculino e do feminino no desejo por filhos.

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07 Julho 2010 | 01h03

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Em "O Beijo" (1907/08), de Gustavo Klint, a mulher fatal aparece submissa, comunica uma sexualidade latente.

Olá, hoje o assunto é: a escolha do homem e da mulher enquanto parceiros para procriação. Diante deste aspecto, teremos que levar sempre em consideração a subjetividade, juntamente com a compreensão dos aspectos psicossociais e psíquicos da constituição do masculino e do feminino, permitindo uma reflexão sobre o desejo de filhos e seus significados.

Durante a primeira metade da vida, a tarefa do indivíduo consiste em estabelecer-se no mundo, cortar os vínculos da infância que o ligam aos pais, arranjar um parceiro sexual e iniciar uma nova família.

Portanto, é necessário que o homem e a mulher se unam para conceber a criança. Ainda assim, depois da concepção e nascimento, existem várias possibilidades de como criar esta criança. Julgo compreender serem estas as obrigações do ser humano, e fico pensando que a luta dos indivíduos a fim de realizarem estes objetivos não se reveste de grande interesse intrínseco.

É necessário fazer nesta coluna algumas considerações ao sistema do matriarcado e patriarcado como uma maneira de entender o processo do feminino e do masculino atribuídos aos papéis de pai e mãe e suas funções na nossa cultura.

No sistema matriarcal, as mulheres tinham vários parceiros; elas eram as únicas que podiam determinar com certeza de que homem eram os filhos. Os homens eram apenas machos reprodutores, isso livrava o homem de exercer o papel de cuidador e de manter vínculo afetivo ou responsável com os recém-nascidos. Nesse sistema para o recém-nascido só existia a mãe, sendo esta o centro e a razão do seu existir, viver e sobreviver.

Podem ser considerados alguns princípios do sistema matriarcado: o homem, a mulher e os filhos vivem no local do grupo com quem a mulher se relaciona – sendo assim, o lar materno define o domicílio da família; na ausência de casamentos fixos ou monogâmicos, o papel do pai é assumido pelo irmão da mãe; a única linha válida é a matrilinear, na qual é o sangue da mãe que determina a descendência e as posses da prole.

Já no sistema do patriarcado, o mundo começa a pertencer aos homens, fundando à base do machismo e da ditadura cultural do masculinismo. Modelo organizador de toda sociedade, em que o homem comandava tudo. É uma organização social baseada no poder do pai, pela qual a descendência e o parentesco seguem a linha masculina.

Com isso, o patriarcado não pode ser entendido apenas como dominação macho-fêmea, mas como uma complexa estrutura política de dominação e hierarquização, estrutura estratificada por gênero, raça, classe e religião.

Na condição de ser histórico, a mulher em nosso meio cultural patriarcal está sob o abrigo, a influência, as prescrições e as expectativas do pai cultural. Com as solicitações do cotidiano e as pressões sociais, com o desmame e com a retomada do trabalho, a mulher tende a se distanciar das influências do arquétipo da Grande Mãe (aparece simbolicamente como o feminino-maternal).

Na sociedade patriarcal, a mãe pessoal seria excluída e desqualificada em sua orientação feminina se não cedesse à regência patriarcal dominante, para não ser afastada junto com o arquétipo (fenômenos que governam nosso modo de sentir e de pensar, sendo estes, tendências do psiquismo para pré-modelar seus conteúdos em nós sob a forma de imagens ou ideias), a mulher se torna a mãe permitida pelo pai social.

Bom, esta foi uma breve introdução do nosso objetivo nessa leitura: a procriação, e suas interfaces. Vou deixar vocês com gostinho de quero mais, e em breve retomo novamente este assunto, ok?

No próximo texto vou trazer dois itens importantes para o entendimento dessa união do qual venho interligando essa compreensão, do que seria o “Par Perfeito” se assim posso dizer… Os parceiros invisíveis existentes em todo relacionamento homem mulher. Pretendo aqui enfatizar o encontro do homem com sua anima e da mulher com seu animus para que possa ser estabelecida a união, o compromisso e a cumplicidade entre homem e mulher, masculino e feminino.

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Regiane Canoso é psicóloga e estreia sua coluna quinzenal no Ciência Diária a partir de hoje.Regiane L. C. Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.